A disputa pelo número 1 do tênis em Wimbledon

Foto: LTA

A 131ª edição de Wimbledon começa na manhã desta segunda-feira em um torneio que será palco da disputa pela liderança nos rankings de simples da ATP e da WTA num momento em que não há amplo favoritismo de nenhum tenista na chave masculina e nem na feminina, além daqueles nomes fortes a busca pelos títulos que estão fora desta briga direta por ranking.

Pelo topo do tênis masculino, o britânico Andy Murray, atual líder, tem como concorrentes o espanhol Rafael Nadal, o suíço Stan Wawrinka e o sérvio Novak Djokovic. Dos quatro, apenas o suíço jamais esteve na liderança do ranking mundial.

Já no feminino, que tem a ausência da futura mamãe Serena Williams, a alemã Angelique Kerber é quem tenta manter a liderança contra a concorrência da romena Simona Halep e a tcheca Karolina Pliskova, que buscam o topo do ranking pela primeira vez.

O que abriu a porta para esta concorrência no ranking foi justamente as campanhas pouco regulares dos atuais líderes Andy Murray e Angelique Kerber na temporada.

Murray é o número 1 da ATP desde novembro de 2016 e neste ano conquistou apenas um título, no ATP 500 de Dubai, em março. Nos dois Grand Slams já disputados no ano, parou nas oitavas de final do Australian Open contra o alemão Mischa Zverev (50º) e nas semifinais de Roland Garros contra Wawrinka (3º). Nos quatro torneios de Masters 1000 que disputou, não chegou às quartas de final em Indian Wells, Miami, Madri e Roma.

O único torneio disputado pelo britânico desde Roland Garros foi o ATP 500 de Queen’s, em Londres, também na grama, onde caiu na primeira rodada contra o australiano Jordan Thompson, em dois sets.

Crédito: Divulgação

Ao mesmo tempo em que os líderes são inconstantes, há jogadores com uma temporada de resultados mais consistentes. Rafael Nadal vem da décima conquista em Roland Garros, além do vice-campeonato na Austrália, dos títulos de Monte Carlo e Madri e o vice em Miami na final contra Federer. O espanhol optou por não jogar torneios antes de Wimbledon e utilizou o período para treinar na quadra de grama em Mallorca.

Wawrinka foi semifinalista do Australian Open e vice-campeão de Roland Garros. Seu único título na temporada foi no saibro de Genebra, na Suíça. Também foi finalista em Indian Wells, onde perdeu para Federer. Na grama de Queen’s, perdeu na primeira rodada para o espanhol Feliciano Lopez (32º), em dois sets.

Djokovic começou o ano vencendo o ATP de Doha, no Qatar, mas ficou na segunda rodada do Australian Open contra o uzbeque Denis Istomin (117º) e nas quartas de final em Roland Garros contra o austríaco Dominic Thiem (7º). Na preparação para Wimbledon, conquistou neste fim de semana o ATP 250 de Eastbourne, onde não perdeu sets contra Vasek Pospisil (75º), Donald Young (47º), Daniil Medvedev (52º) e Gael Monfils (16º).

Murray se mantém como número 1 com título ou com o vice-campeonato caso Nadal não seja o campeão e até perdendo na semifinal desde que Nadal e Wawrinka não sejam finalistas.

Nadal assume a liderança do ranking com título sem depender de nenhum resultado. Ele também pode terminar como número 1 perdendo na final desde que Murray não seja o campeão. O espanhol ainda tem mais combinações que o favorecem.

Wawrinka precisa ser campeão sem que o vice seja Murray ou Nadal para virar número 1.

Djokovic precisa ser campeão e contar que Murray e Nadal não passem das quartas de final.

Veja tabela abaixo:

Kerber reassumiu a liderança da WTA em maio deste ano, em posição que já havia estado entre setembro de 2016 e janeiro deste ano, e de março a abril de 2017. Ela vem em uma temporada sem títulos, parou nas oitavas de final do Australian Open e na primeira rodada de Roland Garros. No torneio de Eastbourne, preparatório para Wimbledon, perdeu nas quartas de final para a britânica Johanna Konta.

A romena Simona Halep é a atual número 2 em uma temporada na qual perdeu na primeira rodada do Australian Open e ficou com o vice-campeonato de Roland Garros contra uma improvável Jelena Ostapenko. Mas ela conquistou um título importante no Premier de Madri e foi finalista de Roma. Antes de Wimbledon, perdeu nas quartas de final de Eastbourne para a dinamarquesa Caroline Wozniacki.

Crédito: Divulgação

Número 3 da WTA antes de Wimbledon, a tcheca Karolina Pliskova é a tenista que chega no melhor momento e com as maiores chances de sair de Londres como líder do ranking. Embora tenha perdido nas quartas de final do Australian Open e na semifinal de Roland Garros, ela obteve os títulos de Brisbane, Doha e conquistou o torneio no último evento preparatório para o Grand Slam britânico, em Eastbourne.

Atual campeã de Wimbledon, Kerber precisa defender o título e contar com as quedas de Halep e Pliskova antes das semifinais para manter a liderança.

Halep assume o número 1 do  ranking WTA se conquistar o título, que seria o seu primeiro de Grand Slam na carreira. Ela também pode ser líder com o vice desde que a campeã não seja Pliskova.

Já Pliskova será número 1 conquistando o título independentemente da vice-campeã. Caso perca a final, ela também vira líder desde que a vencedora não seja Halep.

Veja tabela abaixo:

Mas seriam os tenistas que estão em busca da liderança os principais favoritos ao título? Não necessariamente, já que o torneio marca a volta do suíço Roger Federer no masculino. Ele venceu o Australian Open e os Masters 1000 de Indian Wells e Miami antes de um hiato até a temporada de grama. No feminino, a tcheca Petra Kvitova conquistou na fase de preparação para Wimbledon o título de Birmingham e chega também como candidata ao seu terceiro título em Londres.

A programação tem jogos a partir das 7h30 (de Brasília) nesta segunda-feira, com jogos transmitidos pela ESPN e o Sportv. Neste primeiro dia estreiam Andy Murray, Stan Wawrinka, Rafael Nadal e Nick Kyrgios pela chave masculina, enquanto Petra Kvitova, Simona Halep, Elina Svitolina e Victoria Azarenka jogam pela feminina. Entre os brasileiros, Bia Haddad Maia abre a quadra 18 (aquela!) contra a anfitriã Laura Robson, Rogerio Dutra Silva encara o francês Benoit Paire na abertura da quadra 4 e Thiago Monteiro faz o primeiro jogo da quadra 16 contra o australiano Andrew Whittington, que veio do qualifying.

Confira abaixo a programação desta segunda-feira:

QUADRA CENTRAL – 9h

Andy Murray (GBR) [1] vs Alexander Bublik (KAZ)

Johanna Larsson (SWE) vs Petra Kvitova (CZE) [11]

Daniil Medvedev (RUS) vs Stan Wawrinka (SUI) [5]

QUADRA 1 – 9h

Elise Mertens (BEL) vs Venus Williams (USA) [10]

Rafael Nadal (ESP) [4] vs John Millman (AUS)

Johanna Konta (GBR) [6] vs Su-Wei Hsieh (TPE)

QUADRA 2 – 7h30

Jo-Wilfried Tsonga (FRA) [12] vs Cameron Norrie (GBR)

Marina Erakovic (NZL) vs Simona Halep (ROU) [2]

Philipp Kohlschreiber (GER) vs Marin Cilic (CRO) [7]

Maryna Zanevska (BEL) vs Heather Watson (GBR)

QUADRA 3 – 7h30

Nick Kyrgios (AUS) [20] vs Pierre-Hugues Herbert (FRA)

Ashleigh Barty (AUS) vs Elina Svitolina (UKR) [4]

Ivo Karlovic (CRO) [21] vs Aljaz Bedene (GBR)

Jelena Ostapenko (LAT) [13] vs Aliaksandra Sasnovich (BLR)

QUADRA 12 – 7h30

Nao Hibino (JPN) vs Madison Keys (USA) [17]

Kei Nishikori (JPN) [9] vs Marco Cecchinato (ITA)

Dominika Cibulkova (SVK) [8] vs Andrea Petkovic (GER)

Steve Johnson (USA) [26] vs Nicolas Kicker (ARG)

QUADRA 18 – 7h30

Beatriz Haddad Maia (BRA) vs Laura Robson (GBR)

Fernando Verdasco (ESP) [31] vs Kevin Anderson (RSA)

Marton Fucsovics (HUN) vs Gilles Muller (LUX) [16]

QUADRA 4 – 7h30

Rogerio Dutra Silva (BRA) vs Benoit Paire (FRA)

Peter Gojowczyk (GER) vs Marius Copil (ROU)

Ying-Ying Duan (CHN) vs Ana Bogdan (ROU)

QUADRA 5 – 7h30

Andrey Kuznetsov (RUS) vs Karen Khachanov (RUS) [30]

Norbert Gombos (SVK) vs Andreas Seppi (ITA)

Madison Brengle (USA) vs Richel Hogenkamp (NED)

Marketa Vondrousova (CZE) vs Shuai Peng (CHN)

QUADRA 6 – 7h30

Simone Bolelli (ITA) vs Yen-Hsun Lu (TPE)

Mirjana Lucic-Baroni (CRO) [26] vs Carina Witthoeft (GER)

Jiri Vesely (CZE) vs Illya Marchenko (UKR)

QUADRA 7 – 7h30

Denis Shapovalov (CAN) vs Jerzy Janowicz (POL)

Barbora Strycova (CZE) [22] vs Veronica Cepede Royg (PAR)

Lukas Rosol (CZE) vs Henri Laaksonen (SUI)

QUADRA 8 – 7h30

Camila Giorgi (ITA) vs Alize Cornet (FRA)

Julien Benneteau (FRA) vs Sergiy Stakhovsky (UKR)

Damir Dzumhur (BIH) vs Renzo Olivo (ARG)

Donna Vekic (CRO) vs Natalia Vikhlyantseva (RUS)

QUADRA 9 – 7h30

Carlos Berlocq vs Nikoloz Basilashvili (GEO)

Sara Sorribes Tormo (ESP) vs Naomi Osaka (JPN)

Caroline Garcia (FRA) [21] vs Jana Cepelova (SVK)

Facundo Bagnis (ARG) vs Radu Albot (MDA)

QUADRA 11 – 7h30

Thomas Fabbiano (ITA) vs Sam Querrey (USA) [24]

Francesca Schiavone (ITA) vs Mandy Minella (LUX)

Viktor Troicki (SRB) vs Florian Mayer (GBR)

Françoise Abanda (CAN) vs Kurumi Nara (JPN)

QUADRA 14 – 7h30

João Sousa (POR) vs Dustin Brown (GER)

Malek Jaziri (TUN) vs Lucas Pouille (FRA) [14]

Naomi Broady (GBR) vs Irina-Camelia Begu (ROU)

Sabine Lisicki (GER) vs Ana Konjuh (CRO) [27]

QUADRA 15 – 7h30

Aryna Sabalenka (BLR) vs Irina Khromacheva (RUS)

Andras Haider-Maurer (AUT) vs Roberto Bautista Agut (ESP) [18]

Katerina Siniakova (CZE) vs Maria Sakkari (GRE)

Jennifer Brady (USA) vs Danka Kovinic (MNE)

QUADRA 16 – 7h30

Thiago Monteiro (BRA) vs Andrew Whittington (AUS)

Kristyna Pliskova (CZE) vs Roberta Vinci (ITA) [31]

Tommy Haas (GER) vs Ruben Bemelmans (BEL)

Elena Vesnina (RUS) [15] vs Anna Blinkova (RUS)

QUADRA 17 – 7h30

Kai-Chen Chang (TPE) vs Qiang Wang (CHN)

Donald Young (USA) vs Denis Istomin (UZB)

Dmitry Tursunov (RUS) vs Fabio Fognini (ITA) [28]

Yulia Putintseva (KAZ) vs Anastasija Sevastova (LAT) [18]

A SER DEFINIDO 1

Não antes das 13h

Victoria Azarenka (BLR) vs Catherine Bellis (USA)

Não antes das 13h

Carla Suarez Navarro (ESP) [25] vs Eugenie Bouchard (CAN)

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Roland Garros e a realidade do tênis feminino na América do Sul

Veronica Cepede Royg

Desde o início da Era Aberta do tênis, Roland Garros sempre teve jogadoras sul-americanas na chave feminina de simples, é o Grand Slam do saibro, o piso onde são formados os tenistas sul-americanos em geral e da maior parte dos torneios juvenis e profissionais realizados no continente. Mas desde o início da década atual, o número de tenistas caiu significativamente e em 2017 tivemos apenas três representantes da América do Sul na chave principal em Paris.

Bia jogou a chave principal em Paris
Crédito: Corinne Dubreuil/FFT

Beatriz Haddad Maia precisou passar pelo qualifying para chegar à chave e jogar pela primeira vez um Grand Slam como profissional. Além dela, a colombiana Mariana Duque Marino e a paraguaia Veronica Cepede Royg conseguiram a entrada no torneio.

Cepede Royg e Duque Marino foram longe para a expectativa em relação às sul-americanas no torneio e duelam por uma vaga na quarta rodada, que terá uma jogadora do continente pela primeira vez desde 2011, quando a argentina Gisela Dulko chegou às oitavas.

Além das três tenistas já citadas, estiveram em Paris a argentina Nadia Podoroska e a paraguaia Montserrat Gonzalez, que perderam no quali.

Em 1968, eram 10 tenistas da América do Sul jogando em Roland Garros, número que variou bastante nos anos seguintes, mas nunca havia ficado oito edições seguidas com menos de quatro jogadoras na chave principal, o que mostra a realidade do tênis feminino no continente.

Na Fed Cup deste ano não teve nenhum país da América do Sul nem mesmo nos Playoffs do Grupo Mundial II, nem no Grupo Mundial I ou II. Desde 2009, época da Argentina de Dulko, a elite da competição feminina por equipes não tem um país sul-americano.

No ranking da WTA anterior a Roland Garros, a única sul-americana presente no top 100 é a paraguaia Cepede Royg, com Bia Haddad bem perto das cem melhores, o que deve voltar a acontecer depois do Grand Slam. Mas além das duas citadas, e de Duque Marino, que está próxima do top 100, há um abismo.

Andrea Gamiz, uma das poucas venezuelanas
Crédito: Cristiano Andujar

Peru e Uruguai, que já tiveram jogadoras na chave de Roland Garros, hoje não têm tenistas ranqueadas na WTA. A Bolívia tem somente Noelia Zeballos, que ocupa a 799ª colocação. Equador e Venezuela têm duas tenistas cada no ranking, sendo que a melhor venezuelana, Andrea Gamiz, é 354ª, e a melhor equatoriana, Charlotte Roemer, é apenas 819ª. O Chile soma seis jogadoras, apenas Daniela Seguel entre as 300 melhores, na 234ª posição.

Embora tenha hoje uma tenista entre as 100 e outra entre as 200, caso de Montserrat Gonzalez, o que já é superior ao momento do Brasil, o Paraguai tem apenas mais duas ranqueadas. A Colômbia tem apenas Duque Marino entre as 500, depois tem mais seis jovens tenistas no ranking, longe de posições de destaque.

Se a América do Sul sempre teve uma jogadora na chave principal de Roland Garros, a Argentina é o país responsável por isso na maioria das edições. O problema é que já chegamos ao terceiro ano sem uma argentina na chave em Roland Garros. Atualmente há 15 jogadoras da Argentina no ranking da WTA, com apenas Nadia Podoroska entre as 300 melhores. O que se pode esperar de melhora para o país vizinho é a idade das jogadoras que somam pontos no circuito profissional.

Paula Ormaechea foi a última argentina na chave de Roland Garros, em 2014
Crédito: Cristiano Andujar

Por fim, como vai o Brasil? Hoje Bia Haddad Maia começa a se firmar aos 20 anos e recuperada das lesões que adiaram sua chegada ao circuito de elite. Teliana Pereira teve seu grande momento recentemente ao recolocar o país no top 100, de Grand Slam e títulos de WTA, mas não está em um bom momento na carreira em 2017, assim como Paula Gonçalves, Gabriela Cé e Laura Pigossi, que tiveram bons resultados em anos recentes nos torneios WTA, mas não mantiveram.

O problema é que a média de idade das brasileiras no ranking não é baixa, o país teve uma geração que conseguiu feitos importantes (com as jogadoras citadas acima), mas tal qual toda a América do Sul, não teve auto-crítica, não fez trabalho diferenciado visando o desenvolvimento do tênis feminino.

Teliana Pereira campeã em Florianópolis 2015
Crédito: Cristiano Andujar

O Brasil teve dois torneios WTA, que ajudaram enquanto existiam e agora exibem o abismo. Teliana ganhou um deles? Ganhou. Mas o momento da Teliana já era bom mesmo antes dos torneios no Brasil, ela já vinha em uma crescente jogando fora do país. Óbvio que em casa ajuda, ela ganhou em Floripa quando jogou no saibro e foi bem na primeira edição do Rio. Mas Bia, que jogou em boas condições físicas apenas dois dos torneios realizados, acaba de chegar ao seu auge sem haver nenhum deles para jogar.

Paula Gonçalves teve problemas ao arriscar no calendário de 2017
Crédito: Cristiano Andujar

O Brasil teve dois torneios WTA, mas o calendário profissional feminino não teve uma progressão com torneios acima dos ITF 10k e 25k. Não teve torneios de 50k, 75k ou 100k. São caros? Sim, mas um WTA também é. E falar em torneios caros pensando o quanto se usou de Lei de Incentivo ao Esporte nos últimos anos para Challengers, Futures com áreas VIP injustificáveis e torneios de veteranos soa um pouco como fugir da realidade.

As jogadoras tinham de pular de um Future para um WTA. Se quisessem evoluir, que viajassem. Óbvio que é importante viajar para evoluir, mas a resposta no tênis masculino geralmente não vai pelo mesmo caminho. Os Challengers existiram em todos os níveis até o ano passado. O apoio a jogadoras nunca passou de quatro ou cinco no feminino, bem diferente do masculino. A política feita aqui para o feminino só ajudou a reduzir o número de jogadoras.

Quando você tem um grande evento (seja ele um ídolo que estoura ou um torneio grande que vem ao país), você espera que o número de jogadores cresça. Só que o tênis feminino brasileiro tinha mais de 30 ranqueadas entre 2011 e 2013, hoje são 16, um ano apenas depois do fim do WTA de Florianópolis e do torneio feminino no Rio Open. Que evolução é esta?

Estreante na Fed Cup 2017, Luisa Stefani joga o circuito universitário nos EUA
Crédito: ITF

Na Fed Cup deste ano, ficou claro o problema com a falta de Paula Gonçalves e Bia Haddad Maia, quando o país jogou para não ser rebaixado ao Zonal Americano II. As duas mais experientes, Teliana e Gabriela não vinham em boa fase, Luisa Stefani e Carolina Alves vinham a primeira do circuito universitário americano e a segunda de torneios future. E o país teria poucas opções se nenhuma das quatro pudesse jogar no México. Em 2014 foi o único ano na década que o Brasil se classificou para os Playoffs do Grupo Mundial. E a capitã Carla Tiene foi dispensada do cargo no ano seguinte depois de ter ficado com o vice-campeonato do Zonal em 2015.

É só o Brasil? Claro, que não! Por isso você leu lá no começo um comparativo de toda a América do Sul, pois o problema está em todo o continente. Você já deve ter ouvido e lido bastante que o tênis feminino está na Europa. Mas a realidade é que isso acontece pelo fato de o tênis sul-americano não evoluir. Alguma coisa está errado por nossos lados, seja na escolinha, no acompanhamento no juvenil, na formação de técnicos voltados ao tênis feminino e na formação de calendários e organização de torneios.

Você também já deve ter ouvido que o problema é cultural numa forma de transferirem o problema às jogadoras, que são as últimas a serem culpadas, pois o problema está sim na cultura, mas na cultura de organização, na cultura em que a auto-crítica é proibida e “estamos sempre em um grande momento”, mesmo que a história e o trabalho em outros continentes mostrem que estamos errados.