Copa Davis repete final da Fifa na despedida da fórmula

Como na final da Copa do Mundo de futebol, a Copa Davis terá uma decisão entre França e Croácia em novembro

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O último fim de semana definiu a classificação de França e Croácia para a final da Copa Davis de tênis, assim como ocorreu na Copa do Mundo de futebol em julho deste ano. Na despedida do atual formato da competição centenária, franceses e croatas jogam entre 23 e 25 de novembro pelo título.

Nas semifinais, os franceses derrotaram a Espanha que ficou desfalcada de Rafael Nadal na semana prévia ao confronto (o espanhol também precisou abandonar a semifinal do US Open contra Juan Martin Del Potro).

E teve estreia pelo lado francês, com Benoit Paire, de 29 anos, vencendo e se emocionando na abertura do confronto em Lille ao fazer 7/5, 6/1 e 6/0 sobre Pablo Carreño Busta. Crítico da troca de formato da competição, Lucas Pouille deu o segundo ponto aos franceses no que a Copa Davis tem (e deixará de ter) de melhor, um jogo de 5 sets [3/6, 7/6(5), 6/4, 2/6 e 6/4] contra Roberto Bautista Agut. A dupla de Julien Benneteau e Nicolas Mahut fechou a fatura contra Marcel Granollers e Feliciano López, com 6/0, 6/4 e 7/6(7)

Coric impede virada americana

No saibro de Zadar, na Croácia, o confronto não poderia ser mais típico do já quase saudoso formato da Copa Davis. Sem John Isner e Jack Sock, o time dos Estados Unidos conseguiu igualar um confronto que perdiam por 2 a 0 e estiveram a um set da virada com o jovem Frances Tiafoe. Mas Borna Coric salvou a pele do número 6 do mundo Marin Cilic (derrotado por Sam Querrey) e venceu no quinto set do quinto jogo ao fechar em 6-7(0), 6/1, 6/7(11), 6/1 e 6/3, em 4h06 de partida.

Borna Coric: “É o dia mais especial da minha vida, de longe, com essa torcida”

 


Playoffs definem classificados da nova Davis

Enquanto se definiam os finalistas do Grupo Mundial da Copa Davis, oito confrontos foram disputados valendo a condição de cabeça de chave nos confrontos do Qualificatório de 2019, marcados para o início de fevereiro.

  • 🇦🇷 4-0  🇨🇴▶︎ A Argentina com Diego Schwartzman, número 14 do mundo, bateu a Colômbia facilmente já no terceiro jogo, em San Juán;
  • 🇬🇧 3-1  🇺🇿▶︎ A Grã-Bretanha com Jamie Murray (top 10 nas duplas), mas sem seu irmão Andy, bateu o Uzbequistão em Glasgow;
  • 🇦🇹 3-1  🇦🇺▶︎ Liderada por Dominic Thiem, número 8 do mundo, a Áustria derrotou a Austrália, que teve seu único ponto com o capitão Lleyton Hewitt jogando nas duplas, em Graz, no saibro austríaco;
  • 🇨🇭 2-3 🇸🇪▶︎ Em um confronto daqueles que certamente motivaram a troca de formato da Davis, a Suíça sem Roger Federer e Stan Wawrinka (que não jogam a competição já á algum tempo), perdeu para a fraca equipe da Suécia em Biel;
  • 🇷🇸 4-0  🇮🇳▶︎ Sem o campeão do US Open, Djokovic, a Sérvia passou facilmente pela Índia com Dusan Lajovic e Laslo Djere em simples;
  • 🇨🇦 3-1 🇳🇱▶︎ Recuperado fisicamente, o atual número 20 do mundo, Milos Raonic, garantiu seus dois pontos em simples para o Canadá, que teve a despedida de Daniel Nestor nas duplas, contra a Holanda; 
  • 🇭🇺3-2 🇨🇿▶︎ Ah os confrontos decididos no quinto jogo. À beira da extinção, o quinto jogo definiu a vitória de virada da Tchéquia (novo nome da República Tcheca) sobre a Hungria, em Budapeste, em confronto com apenas um top 100 em quadra (Jiri Vesely);
  • 🇯🇵 4-0 🇧🇦▶︎ Não precisou de Kei Nishikori. O Japão de Taro Daniel e Yoshihito Nishioka passou tranquilamente pela Bósnia em Osaka.


Aquele que não se entrega

Rogerio Dutra Silva
Crédito: Cristiano Andujar/CBT

Em um momento inferior a João Souza, o Feijão, Rogerinho recebe uma convocação para defender o Brasil na Copa Davis contra a Espanha, em São Paulo. Sua filha está prestes a nascer, o emocional está pulsando. Torcida e imprensa pegam no pé não apenas do capitão, mas do tenista, que entra em quadra e sente.

Aquele cara que havia dado ao país a vaga nos Playoffs em um momento difícil contra o Equador, sem contar com Thomaz Bellucci e com Guilherme Clezar – que se lesionou durante o confronto -, vira alvo de críticas. Não consegue entrar no jogo e vê o espanhol Roberto Bautista Agut fechar rápido, com 6/0 6/1 6/3. Os termos usados são “atropelo”, “vexame”, “vergonha”, e outros mais.

RogerioIbirapuera
Rogerinho com o capitão João Zwetsch no Ibirapuera Crédito: Marcello Zambrana/CBT

O tenista, na época com 30 anos, se afasta de torneios por cinco meses. Seu ranking despenca para baixo do top 500. E recomeça o trabalho de formiguinha… Enquanto o Brasil jogava a Copa Davis em Tecnopolis, em Buenos Aires, ele treinava na mesma cidade, no Parque Sarmiento, quieto, para retomar seu lugar na batalha por títulos de Challenger, qualis de ATP, top 100, primeiras rodadas de Grand Slam e por uma vaga em sua primeira Olimpíada aos 32 anos.

Pouco mais de dois anos depois, Rogerinho chora. Está sendo aplaudido depois de vencer no quinto set – com parciais de 4/6 7/6(5) 2/6 7/6(4) 6/2 – o russo Mikhail Youzhny, ex-integrante do top 10, na primeira rodada de Roland Garros, jogada uma semana depois de uma lesão no tornozelo. Um jogo no qual ele entrou em quadra sem saber se jogaria até o fim, não que estivesse disposto a desistir, mas ainda com o receio de as dores não o deixarem seguir. Outra torção, uma queda em quadra, placar abaixo em 2 sets a 1, match point contra…

Veja a entrevista de Rogerinho ao Bandsports após a vitória

Ele não desistiu. Como não desistiu quando ficou de 2007 até 2011 sem furar um quali de Grand Slam, quando esteve 2 sets a 1 abaixo contra Teymuraz Gabashvili no US Open 2012, ou naquele US Open 2013 contra Vasek Pospisil, que virou depois de salvar sete match points. Como não deixou de lutar ao ter dois sets abaixo contra Nicolas Almagro em Wimbledon do ano passado, ou contra Jared Donaldson no Australian Open deste ano.

Nós podemos duvidar de Rogerinho. Temos todo o direito, embora o histórico nos mostra que temos grandes chances de quebrar a cara, pois ele não duvida de si próprio. Parece que quando fica mais difícil, é quando ele cresce mais.

Rogerinho não foi um juvenil de destaque, jogou poucos torneios ITF Juniors, não foi abraçado por uma entidade desde novo como aquele que seria um futuro campeão. Só se firmou entre os 200 do mundo aos 26 anos e virou top 100 pela primeira vez aos 28.

Ele não tem a técnica perfeita, é barulhento em quadra, mas corre e vai atrás de todas as bolas. Tem um coração absurdo.

Tem uma família que ama tênis. Seu pai, Eulicio, jogou o quali de Roland Garros em 1972, há 45 anos. Seu irmão Daniel joga futures mundo afora até hoje, aos 28 anos. Tem irmã que dá aula de tênis, o primo Alexandre, que viaja e treina a filha Alexandra para encarar o sonho de ser uma profissional do tênis, missão ainda mais dura no Brasil.

Em um momento no qual comemoramos os 20 anos da conquista de um Guga em Roland Garros, que tantos sonham com o surgimento de um novo Guga, eu quero mais é que apareçam uns 10 ou 20 Rogerinhos no esporte brasileiro.

Muguruza e Djokovic não decepcionam na estreia

Atuais campeões de Roland Garros, a espanhola Garbiñe Muguruza e o sérvio Novak Djokovic passaram sem sustos pela estreia, nesta segunda-feira, em Paris.

Iniciando a parceria com o agora técnico Andre Agassi, Djokovic bateu o espanhol Marcel Granollers com 6/3 6/4 6/2. Ele terá na segunda rodada um duelo com o português João Sousa, que espantou a “zica” e despachou o sérvio Janko Tipsarevic.

Muguruza não foi atrapalhada pelo pescoço, que a fez desistir na semifinal de Roma. Contra a italiana Francesca Schiavone, campeã de 2010 em Paris, a espanhola venceu por 2 sets a 0, com 6/2 6/4, e encara a estoniana Anett Kontaveit. Outra cabeça de chave a estrear bem foi Karolina Pliskova, que bateu a chinesa Saisai Zheng, com 7/5 6/2, e pega a russa Ekaterina Alexandrova.

Rafael Nadal também confirmou seu favoritismo e derrotou o francês Benoit Paire com 6/1 6/4 6/1, para encontrar na segunda rodada o holandês Robin Haase. Milos Raonic passou pelo belga Steve Darcis, com 6/3 6/4 6/2, e vai encarar Rogerinho.

Mas o dia não foi muito tranquilo para os franceses. Kristina Mladenovic, cotada para ir longe no torneio, quase ficou pelo caminho na estreia e penou para bater a americana Jennifer Brady, com 3/6 6/3 9/7. Richard Gasquet cedeu um set para o belga Arthur De Greef, mas venceu com 6/2 3/6 6/1 6/3. Já o cabeça 32 Gilles Simon caiu diante do georgiano Nikoloz Basilashvili, com 1/6 6/2 6/4 6/1.

A participação brasileira na chave feminina se encerrou nesta segunda-feira, com a derrota de Bia Haddad Maia para a russa Elena Vesnina, número 15 do mundo, com 6/2 3/6 6/4. Depois de furar o quali, a paulistana teve bons momentos na partida e mostrou que pode jogar bem contra tenistas do mais alto nível da WTA com alguns ajustes, nada mal para quem está entrando agora no top 100.

Lá vem o número 1

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Andy Murray estreia nesta segunda Crédito: FFT

Andy Murray finalmente estreia em Roland Garros nesta terça-feira, contra o russo Andrey Kuznetsov, no segundo jogo da Philippe Chatrier, que terá a seguir a conclusão do duelo entre o alemão Alexander Zverev e o espanhol Fernando Verdasco, empatado em sets com 1 a 1.

Outro que faz sua primeira partida é o suíço Stan Wawrinka, contra o eslovaco Jozef Kovalik, em dia que ainda tem Kei Nishikori, Jo-Wilfried Tsonga, Gael Monfils, Nick Kyrgios e Juan Martin Del Potro.

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Simona Halep encara Cepelova em Roland Garros Crédito: FFT

Uma das favoritas ao título na chave feminina, a romena Simona Halep estreia contra a eslovaca Jana Cepelova, no último jogo programado para a quadra principal do complexo. Já a ucraniana Elina Svitolina duela com a cazaque Yaroslava Shvedova.

Entre os brasileiros, Thiago Monteiro joga sua primeira chave principal de Roland Garros encarando o convidado local Alexandre Muller. E ainda tem as duplas, com Bruno Soares e Jamie Murray contra os sérvios Tipsarevic e Viktor Troicki, Thomaz Bellucci e Carlos Berlocq enfrentando Jean-Julien Rojer e Horia Tecau, além de André Sá e Jonathan Erlich contra Martin Klizan e João Sousa.

Veja a programação completa aqui