Impedido há 15 anos, Jaime Oncins é o capitão do Brasil na Copa Davis

A Confederação Brasileira de Tênis anunciou na manhã desta sexta-feira o ex-tenista Jaime Oncins como novo capitão do Brasil na Copa Davis, em substituição ao recém-saído João Zwetsch. O anúncio acontece 15 anos depois da frustração do paulista

Anúncios

Ex-tenista vai comandar time brasileiro na Copa Davis em setembro, 15 anos depois de ser impedido de assumir o cargo devido a um boicote

A Confederação Brasileira de Tênis anunciou na manhã desta sexta-feira o ex-tenista Jaime Oncins como novo capitão do Brasil na Copa Davis, em substituição ao recém-saído João Zwetsch. O anúncio acontece 15 anos depois da frustração do paulista, que acabou vítima do boicote dos jogadores em um movimento que afastou Nelson Nastás e culminou com a entrada de Jorge Lacerda na presidência da entidade.

Jaime Oncins será o novo capitão do Brasil na Copa Davis
Crédito: Celso Pupo/Foto Arena/CBT

“Com muito orgulho recebi e aceitei o convite de ser o capitão da Davis, uma competição onde sempre me identifiquei como jogador. A chance de poder colocar a mesma dedicação e espírito de equipe que sempre tive ao longo de minha carreira como profissional me motiva. Espero contribuir de forma bastante positiva para a equipe brasileira, dentro e fora das quadras”

afirmou Jaime em comunicado da CBT.

Oncins tem em quadra um histórico que poucos jogadores brasileiros alcançaram na Copa Davis. Integrou os times semifinalistas de 1992, quando foi fundamental para vencer a Alemanha de Boris Becker durante a campanha, e 2000, quando era duplista no time que tinha ainda Gustavo Kuerten, Fernando Meligeni e André Sá. Ao todo, ele soma 25 confrontos disputados, mais do que Guga e Meligeni, inclusive.

Jaime Oncins na vitória sobre a Alemanha na Copa Davis, no Rio de Janeiro, em 1992
Oncins (sem camisa) comemorando entre Luiz Mattar e Paulo Cleto a vitória sobre a Alemanha em 1992

Ele foi pupilo de Paulo Cleto, o capitão que mais tempo ficou no comando, por 16 anos. Ao mesmo tempo em que a experiência de seu ex-técnico poderia pesar a favor, Cleto foi usado como motivação por quem era contra a entrada de Oncins como capitão após o anúncio por Nastás em fevereiro de 2004.

Dácio Campos, então comentarista do Sportv e influência na CBT até o fim da gestão Jorge Lacerda – com quem foi recém-condenado em conjunto por fraude na Lei de Incentivo ao Esporte -, bateu forte contra a entrada de Jaime na Copa Davis citando na época que Cleto (desafeto de Dácio) voltaria a mandar no time. Tempos depois, Dácio tentou virar sócio do Clube Paineiras, reduto dos Oncins, e recebeu uma negativa justamente no voto daquele que foi impedido de ser capitão da Copa Davis.

Outra voz forte dentro da CBT, o empresário Christian Burgos (dono da Revista Tênis), que hoje integra um Conselho Consultivo na entidade, chegou a citar o episódio em reunião como um motivo para evitar uma aproximação com Jaime Oncins, quando este ainda trabalhava no Brasil.

Jaime foi um dos jogadores que se reaproximaram da CBT após a saída de Jorge Lacerda da presidência e a entrada de seu sucessor (e aliado) Rafael Westrupp. Ele palestrou durante um Campeonato Brasileiro Infanto-Juvenil e recebeu até placa de homenagem das mãos do cartola.

Jaime Oncins homenageado pela CBT durante Campeonato Brasileiro
Jaime Oncins homenageado pela CBT após palestra no Campeonato Brasileiro 2017. Crédito: Thiago Parmalat/CBT

“A Copa Davis sempre foi muito relevante para o tênis brasileiro, e a entrada do Jaime como capitão traz o sentido de desenvolver ainda mais o espírito desta competição entre os nossos atletas. O Jaime tem uma história linda dentro do nosso tênis, e uma identidade muito forte com a Copa Davis. Ouvi e dialoguei com os jogadores, e dentre algumas alternativas de nomes para assumir o cargo, o Jaime é um consenso”

afirmou Rafael Westrupp, presidente da CBT.

A saída de João Zwetsch foi marcada pela polêmica sobre as condições do confronto com a Bélgica, em quadra de saibro coberta em Uberlândia, que teve declarações contraditórias em entrevistas coletivas no fim de semana da derrota brasileira para um time alternativo belga, depois de ter sido divulgada como consenso do time.

Bruno Soares e Marcelo Melo na Copa Davis de 2018 em Uberlândia
Bruno Soares e Marcelo Melo acabaram prejudicados pelas condições em Uberlândia. Crédito: Luiz Cândido/CBT

Como técnico, Jaime Oncins trabalhou com André Sá e Flávio Saretta (ainda na época do boicote) e também com o português Gastão Elias, que entrou no top 100 justamente no período em que era treinado pelo brasileiro.

A entrada no comando da equipe brasileira da Copa Davis surge justamente no momento em que Jaime vive nos Estados Unidos e trabalha para a Montverde Academy, que leva jovens (inclusive brasileiros) para estudar e jogar visando o tênis universitário norte-americano.

Ele também chega ao cargo com a Copa Davis totalmente reformulada em uma proposta patrocinada pelo jogador de futebol espanhol Gerard Piqué, do Barcelona, que teve o voto favorável da CBT e foi bastante criticada por nomes como Fernando Meligeni, Flávio Saretta e o próprio Jaime Oncins, como você pode conferir abaixo:


Curiosamente, assim como na outra vez em que poderia ter sido o capitão, Jaime Oncins comandará um time que perdeu a oportunidade de estar no Grupo Mundial. Seu primeiro confronto será no Zonal Americano I contra Barbados, nos dias 13 e 14 de setembro, em local a ser divulgado pela CBT.

Brasil sai no lucro e pode jogar em casa na nova Davis

Thiago Monteiro e o capitão João Zwetsch no confronto entre Brasil e Colômbia pela Copa Davis 2018, em Barranquilla, na Colômbia. Crédito: Matheus Joffre/CBT

Thiago Monteiro e João Zwetsch na Copa Davis em Barranquilla, na Colômbia. 
Crédito: Matheus Joffre/CBT
Crédito: Matheus Joffre/CBT

Ausência de seus principais jogadores, vitória sofrida contra a República Dominicana e derrota inédita para a Colômbia. O ano de 2018 tinha ingredientes para ser trágico para a equipe brasileira da Copa Davis, mas a aprovação da mudança no formato da competição centenária deixou o tênis do Brasil no lucro e com grandes chances de sediar um confronto grande.

Graças à vitória canadense sobre a Holanda, que garantiu o país da América do Norte entre os cabeças de chave do Qualificatório de 2019, o Brasil pegou a terceira vaga por ranking das Américas, atrás de Colômbia e Chile, com os pontos descontados da vitória sobre a Espanha nos Playoffs de 2014.

O Brasil que, assim como todos os demais países sul-americanos, votou pela mudança no formato da competição e a adoção da proposta apresentada pelo zagueiro espanhol Gerard Piqué, deixa de jogar o Zonal Americano mesmo depois de ter ficado fora dos Playoffs do Grupo Mundial, o que não acontecia desde o boicote de 2004, que ajudou a derrubar Nelson Nastas do comando da Confederação Brasileira de Tênis.

A definição do adversário brasileiro acontece na quarta-feira, dia 26 de setembro, às 11h (de Brasília), em sorteio que será realizado na sede da Federação Internacional de Tênis (ITF), em Londres, na Inglaterra.

O Brasil pode ter os seguintes confrontos:

Em casa: 🇩🇪∙🇦🇷∙🇦🇹∙🇧🇪∙🇮🇹∙🇯🇵∙🇨🇿
Fora: 🇨🇦∙🇸🇪
Sorteio: 🇰🇿∙🇬🇧∙🇷🇸

Retrospecto dos confrontos

João Souza (Feijão) e Leonardo Mayer antes do jogo que ficaria marcado como o mais longo da Copa Davis, em Buenos Aires, 2015. Crédito: Cristiano Andujar/CBT
Reencontro entre Brasil e Argentina é uma das possibilidades. Crédito: Cristiano Andujar/CBT

🇩🇪∙6 confrontos disputados, com duas vitórias brasileiras e quatro alemãs. O confronto mais marcante para os brasileiros foi em 1992, quando Jaime Oncins brilhou na vitória diante da Alemanha de Boris Becker, no Rio de Janeiro. O encontro mais recente foi na edição 2013, em Neu-Ulm, com vitória dos donos da casa.

🇦🇷∙ 8 confrontos disputados, com duas vitórias brasileiras e seis argentinas. O primeiro encontro teve vitória de Thomaz Koch diante de Guillermo Vilas, em 1972, no Rio de Janeiro, com o Brasil levando a melhor. O confronto mais recente foi em 2015, no Tecnópolis, em Buenos Aires, com Leonardo Mayer vencendo Feijão na marcante maratona de 6h43.

🇦🇹∙2 confrontos disputados, com uma vitória para cada país.  Ambos os encontros foram marcantes por motivos diferentes. No primeiro, em 1996, na cidade de São Paulo, a irritação de Thomas Muster que abandonou a quadra na partida de duplas contra Gustavo Kuerten e Jaime Oncins, que definiu a vitória brasileira. 11 anos depois, em Innsbruck, a despedida de Guga e a estreia de Thomaz Bellucci.

🇧🇪∙ 3 confrontos e todos vencidos pela Bélgica. Todos os confrontos foram disputados em solo belga, em 1960, 1993 (com o Brasil tendo perdido mando como punição referente a 1992) e 2016, quando o time brasileiro sofreu sua pior derrota em anos, caindo ainda no sábado, em Ostend.

🇮🇹∙ 4 confrontos, com duas vitórias para cada país. Em 1992, em Maceió, o time capitaneado por Paulo Cleto garantiu a vitória de virada para ir à semifinal da Davis. O último encontro foi em 1993, em Modena, com o Brasil sendo derrotado já nas duplas no sábado.

🇯🇵∙ O único confronto aconteceu no ano passado, em Osaka, quando o Japão jogou desfalcado de Kei Nishikori e o Brasil de Thomaz Bellucci, em confronto encerrado apenas na segunda-feira por causa de um tufão, que ainda teve episódios de vídeo com ofensa a Nishikori e gestual ofensivo que rendeu punição ao tenista gaúcho Guilherme Clezar.

🇨🇿∙ 4 confrontos, com três vitórias dos tchecos e uma brasileira. O único triunfo do Brasil foi em 1971, em Porto Alegre, com Mandarino e Koch fechando a disputa nas duplas contra o time que tinha Jan Kodes. O duelo mais recente foi em 2002, em Ostrava, com os brasileiros desfalcados de Guga na derrota definida já no segundo dia, nas duplas.

🇨🇦∙ 6 confrontos, com quatro vitórias do Brasil e duas para os canadenses. Um dos encontros mais marcantes ocorreu em 2002, nos Playoffs para o Grupo Mundial, quando Guga, Fernando Meligeni e André Sá bateram o time de Daniel Nestor e Frank Dancevic no segundo dia no Rio de Janeiro. O confronto mais recente também foi vencido pelos brasileiros, com Ricardo Mello e Flávio Saretta, em 2007, no Costão do Santinho, em Florianópolis.

🇸🇪∙ 2 confrontos, ambos vencidos pela Suécia. O primeiro encontro foi em 2003 e marcou a última participação brasileira no Grupo Mundial antes de um hiato de 10 anos. Em Helsingborg, o Brasil de Guga, Sá e Saretta foi superado no quinto jogo por Jonas Bjorkman e Andreas Vinciguerra. No último encontro, a polêmica despedida de Meligeni do cargo de capitão, em 2007, em Belo Horizonte, que teve até fogo na quadra de saibro.

🇰🇿∙ O Brasil nunca enfrentou o Cazaquistão na Copa Davis.

🇬🇧∙ 4 confrontos, todos sediados e vencidos pela Grã-Bretanha. O encontro mais recente aconteceu na edição de 1969, na grama da Quadra 1 de Wimbledon, com Koch e Mandarino derrotados na quinta partida do confronto pela equipe que tinha Graham Stilwell e Mark Cox.

🇷🇸∙ O único confronto ocorreu em 1967, com o Brasil vencendo a antiga Iugoslávia, em Zagreb (atual território croata). Koch e Mandarino garantiram a vitória brasileira pelo Zonal Europeu. Obs: O Brasil não tem garantido o direito de sediar o confronto caso enfrente a Sérvia, pois a alternância de sedes da Copa Davis ocorre a partir de 1970.

Que Brasil?

Thomaz Bellucci na Copa Davis entre Brasil e Espanha em São Paulo, 2014. Crédito: Cristiano Andujar/CBT
Thomaz Bellucci não jogou a Copa Davis em 2018. Crédito: Cristiano Andujar/CBT

Independentemente dos possíveis adversários, resta saber qual será o Brasil que jogara o Qualificatório da Copa Davis 2019. Nos últimos confrontos, Thomaz Bellucci, Rogerio Dutra Silva e Bruno Soares ficaram fora do time comandado por João Zwetsch, que promoveu as estreias de Marcelo Demoliner e João Pedro Sorgi, além de resgatar Guilherme Clezar.

Presentes mesmo em equipes desfalcadas, Thiago Monteiro e Marcelo Melo provavelmente estarão dentro do time mais uma vez. A dúvida fica nas outras três vagas. Bellucci, Rogerinho e Soares voltam?

João Menezes, Karue Sell, Orlando Luz e Thiago Wild, campeão juvenil no US Open seriam opções para confrontos grandes em busca de evitar a volta ao Zonal Americano? A decisão ficará para a CBT e João Zwetsch, que ao que consta, iniciará seu décimo ano no comando do time brasileiro.

O Brasil ainda não sediou um confronto de Copa Davis na gestão de Rafael Westrupp como presidente da Confederação Brasileira de Tênis. A última vez que o país jogou em casa foi em 2016 contra o Equador, em Belo Horizonte, pelo Zonal Americano. Pelos Playoffs, o último confronto como mandante foi contra a Croácia, em 2015, em Florianópolis. Já pelo Grupo Mundial, o Brasil foi sede pela última vez em 2001, contra a Austrália, em Florianópolis, na inauguração do local que hoje sedia a CBT.