Impedido há 15 anos, Jaime Oncins é o capitão do Brasil na Copa Davis

A Confederação Brasileira de Tênis anunciou na manhã desta sexta-feira o ex-tenista Jaime Oncins como novo capitão do Brasil na Copa Davis, em substituição ao recém-saído João Zwetsch. O anúncio acontece 15 anos depois da frustração do paulista

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Ex-tenista vai comandar time brasileiro na Copa Davis em setembro, 15 anos depois de ser impedido de assumir o cargo devido a um boicote

A Confederação Brasileira de Tênis anunciou na manhã desta sexta-feira o ex-tenista Jaime Oncins como novo capitão do Brasil na Copa Davis, em substituição ao recém-saído João Zwetsch. O anúncio acontece 15 anos depois da frustração do paulista, que acabou vítima do boicote dos jogadores em um movimento que afastou Nelson Nastás e culminou com a entrada de Jorge Lacerda na presidência da entidade.

Jaime Oncins será o novo capitão do Brasil na Copa Davis
Crédito: Celso Pupo/Foto Arena/CBT

“Com muito orgulho recebi e aceitei o convite de ser o capitão da Davis, uma competição onde sempre me identifiquei como jogador. A chance de poder colocar a mesma dedicação e espírito de equipe que sempre tive ao longo de minha carreira como profissional me motiva. Espero contribuir de forma bastante positiva para a equipe brasileira, dentro e fora das quadras”

afirmou Jaime em comunicado da CBT.

Oncins tem em quadra um histórico que poucos jogadores brasileiros alcançaram na Copa Davis. Integrou os times semifinalistas de 1992, quando foi fundamental para vencer a Alemanha de Boris Becker durante a campanha, e 2000, quando era duplista no time que tinha ainda Gustavo Kuerten, Fernando Meligeni e André Sá. Ao todo, ele soma 25 confrontos disputados, mais do que Guga e Meligeni, inclusive.

Jaime Oncins na vitória sobre a Alemanha na Copa Davis, no Rio de Janeiro, em 1992
Oncins (sem camisa) comemorando entre Luiz Mattar e Paulo Cleto a vitória sobre a Alemanha em 1992

Ele foi pupilo de Paulo Cleto, o capitão que mais tempo ficou no comando, por 16 anos. Ao mesmo tempo em que a experiência de seu ex-técnico poderia pesar a favor, Cleto foi usado como motivação por quem era contra a entrada de Oncins como capitão após o anúncio por Nastás em fevereiro de 2004.

Dácio Campos, então comentarista do Sportv e influência na CBT até o fim da gestão Jorge Lacerda – com quem foi recém-condenado em conjunto por fraude na Lei de Incentivo ao Esporte -, bateu forte contra a entrada de Jaime na Copa Davis citando na época que Cleto (desafeto de Dácio) voltaria a mandar no time. Tempos depois, Dácio tentou virar sócio do Clube Paineiras, reduto dos Oncins, e recebeu uma negativa justamente no voto daquele que foi impedido de ser capitão da Copa Davis.

Outra voz forte dentro da CBT, o empresário Christian Burgos (dono da Revista Tênis), que hoje integra um Conselho Consultivo na entidade, chegou a citar o episódio em reunião como um motivo para evitar uma aproximação com Jaime Oncins, quando este ainda trabalhava no Brasil.

Jaime foi um dos jogadores que se reaproximaram da CBT após a saída de Jorge Lacerda da presidência e a entrada de seu sucessor (e aliado) Rafael Westrupp. Ele palestrou durante um Campeonato Brasileiro Infanto-Juvenil e recebeu até placa de homenagem das mãos do cartola.

Jaime Oncins homenageado pela CBT durante Campeonato Brasileiro
Jaime Oncins homenageado pela CBT após palestra no Campeonato Brasileiro 2017. Crédito: Thiago Parmalat/CBT

“A Copa Davis sempre foi muito relevante para o tênis brasileiro, e a entrada do Jaime como capitão traz o sentido de desenvolver ainda mais o espírito desta competição entre os nossos atletas. O Jaime tem uma história linda dentro do nosso tênis, e uma identidade muito forte com a Copa Davis. Ouvi e dialoguei com os jogadores, e dentre algumas alternativas de nomes para assumir o cargo, o Jaime é um consenso”

afirmou Rafael Westrupp, presidente da CBT.

A saída de João Zwetsch foi marcada pela polêmica sobre as condições do confronto com a Bélgica, em quadra de saibro coberta em Uberlândia, que teve declarações contraditórias em entrevistas coletivas no fim de semana da derrota brasileira para um time alternativo belga, depois de ter sido divulgada como consenso do time.

Bruno Soares e Marcelo Melo na Copa Davis de 2018 em Uberlândia
Bruno Soares e Marcelo Melo acabaram prejudicados pelas condições em Uberlândia. Crédito: Luiz Cândido/CBT

Como técnico, Jaime Oncins trabalhou com André Sá e Flávio Saretta (ainda na época do boicote) e também com o português Gastão Elias, que entrou no top 100 justamente no período em que era treinado pelo brasileiro.

A entrada no comando da equipe brasileira da Copa Davis surge justamente no momento em que Jaime vive nos Estados Unidos e trabalha para a Montverde Academy, que leva jovens (inclusive brasileiros) para estudar e jogar visando o tênis universitário norte-americano.

Ele também chega ao cargo com a Copa Davis totalmente reformulada em uma proposta patrocinada pelo jogador de futebol espanhol Gerard Piqué, do Barcelona, que teve o voto favorável da CBT e foi bastante criticada por nomes como Fernando Meligeni, Flávio Saretta e o próprio Jaime Oncins, como você pode conferir abaixo:


Curiosamente, assim como na outra vez em que poderia ter sido o capitão, Jaime Oncins comandará um time que perdeu a oportunidade de estar no Grupo Mundial. Seu primeiro confronto será no Zonal Americano I contra Barbados, nos dias 13 e 14 de setembro, em local a ser divulgado pela CBT.

Filho de herói argentino na Copa-86 tenta repetir sucesso no tênis

Roman Burruchaga, de 16 anos, é filho do ex-jogador de futebol argentino Jorge Burruchaga, autor do gol que deu o título mundial de futebol ao país na Copa do Mundo de 1986. Tenista, o garoto tenta repetir o sucesso do pai, mas em outro esporte

O relógio marcava 39 do segundo tempo, a Argentina de Maradona havia cedido o empate depois de abrir 2 a 0 sobre a Alemanha no estádio Azteca, até que El Pibe encontra espaço e lança na ponta direita para Jorge Burruchaga, que arranca e chuta para o gol do bicampeonato mundial.

Jorge Burruchaga chuta na saída do goleiro Harald Schumacher para marcar o gol do título da Argentina na final da Copa do Mundo de 1986, no estádio Azteca, no México
Burruchaga toca na saída de Schumacher para garantir o título mundial da ArgentinaCrédito: FIFA

O futebol argentino não ganhou nenhuma Copa depois de 1986 e hoje o nome Burruchaga, ainda presente no futebol argentino com a gerência técnica da seleção argentina de futebol na AFA (Associação Argentina de Futebol), também começa a ser comum no tênis.

Roman deixou a base do River Plate para se dedicar exclusivamente ao tênisCrédito: AAT

Aos 16 anos, Roman Andrés Burruchaga, filho do campeão mundial de futebol, é um dos novos nomes do tênis argentino e disputa nesta semana a versão juvenil da Copa Davis em Budapeste, na Hungria. Ele é o atual 253º do ranking mundial até 18 anos, melhor do país entre nascidos desde 2002.

Esta é a segunda vez que o garoto representa a Argentina em um Mundial. A primeira foi há 2 anos, em Prostejov, na República Tcheca, quando ajudou seu país a conquistar o título sub-14 por equipes – competição já vencida por nomes como Rafael Nadal, Jo-Wilfried Tsonga e David Nalbandian.

O tênis surgiu na vida de Roman em uma mesa e foi justamente por causa do pai, que comprou o material de tênis de mesa para a família. O garoto foi tomando gosto, Jorge então percebeu que ele levava jeito e o presenteou com uma raquete de tênis para levá-lo à quadra o esporte que consagrou Guillermo Vilas e Juan Martín Del Potro, entre tantos outros argentinos.

No início, ele se dividia entre o tênis e o futebol nas categorias de base do River Plate. Para evitar problemas de conciliação com a escola, precisou optar por uma modalidade e preteriu a de seu pai.

“Eu quero ser profissional, esse é o meu sonho. Já fui campeão mundial igual ao meu velho, mas não tem comparação. O meu foi um título junior e o dele foi profissional”, afirma Roman ao site argentino Pagina 12, para o qual também revelou que se emociona quando assiste no Youtube ao gol marcado por seu pai na final da Copa do Mundo de 1986.

Roman se emociona quando assiste pelo Youtube o gol marcado por seu pai em 1986Crédito: Srdjan Stevanovic/ITF

O garoto disputou em 2018 seu primeiro torneio profissional, um torneio future na cidade de Córdoba, onde perdeu na primeira rodada de duplas e parou no qualifying em simples. Neste ano foi um dos sparrings da equipe principal da Argentina que derrotou a Colômbia na Copa Davis, auxiliando tenistas como Diego Schwartzman na preparação para os jogos.

“Muitos me falam do sobrenome. No entanto, eu jogo tênis, não tem nada a ver com o mundo esportivo dele. Não acredito que influencie. Para meu irmão é mais difícil porque ele joga futebol”

Roman Burruchaga, ao jornal argentino Los Andes, citando o irmão Mauro, que atua no Chievo Verona pelo futebol italiano.

Uma curiosidade em relação ao futebol se dá ainda pelo que teria motivado a escolha do nome do jovem tenista, cujo pai se tornou ídolo no Independiente, clube pelo qual venceu a Copa Libertadores em 1984. “Muitos me dizem que é por causa do Riquelme (ídolo do Boca Juniors). Nunca perguntei ao meu pai, mas eu torço para o River”.

Argentina de Roman Burruchaga disputa a Copa Davis Junior em Budapeste, na HungriaCrédito: Srdjan Stevanovic/ITF

Brasil vai receber a Bélgica no qualificatório da Copa Davis 2019

O sorteio realizado nesta quarta-feira pela Federação Internacional de Tênis (ITF), em Londres, deu ao Brasil a oportunidade de voltar a sediar um confronto de Copa Davis, recebendo a Bélgica nos dias 1 e 2 de fevereiro, no classificatório para as Finais da centenária competição que estreia seu novo formato patrocinado pelo Kosmos, do zagueiro espanhol Gerard Piqué.

A equipe brasileira não jogava em casa na Davis desde 2016, quando recebeu o Equador, no Minas Tênis Clube, em Belo Horizonte, pelo Zonal Americano. Antes, havia sediado um confronto de Playoffs do Grupo Mundial contra a Croácia, no Costão do Santinho, em Florianópolis.

Brasil enfrentou o Equador no Minas Tênis Clube, em Belo Horizonte, pelo Zonal Americano da Copa Davis em 2016. Crédito: Cristiano Andujar
Brasil recebeu seu último confronto de Davis em casa em julho de 2016, em Belo Horizonte. Crédito: Cristiano Andujar

Derrotados pelos Estados Unidos nas quartas de final em 2018, os belgas vêm de boas campanhas na competição, com o vice-campeonato em 2015 e 2017, perdendo o título para Grâ-Bretanha e França, respectivamente.

O principal tenista belga atualmente é David Goffin, número 11 do ranking mundial. O próximo melhor ranqueado é Ruben Bemelmans, número 114. Joris De Loore, 387º de simples, atuou no lugar de Goffin no confronto mais recente, pelas quartas de final contra os Estados Unidos. Outro tenista importante para o time belga é o experiente Steve Darcis, que perdeu toda a temporada 2018 devido a uma lesão no cotovelo.

Capitão do time brasileiro, João Zwetsch terá até o início do próximo ano para montar uma equipe, que em 2018 ficou desfalcada de Bruno Soares, Rogerio Dutra Silva e Thomaz Bellucci. Um dos líderes de Zwetsch, o mineiro Marcelo Melo deve ser novamente um dos principais nomes.

Confronto em 2016 foi vencido por 4 a 0 pela Bélgica na quadra dura, em Ostend
Crédito: Cristiano Andujar
Confronto em 2016 foi vencido por 4 a 0 pela Bélgica na quadra dura, em Ostend           Crédito: Cristiano Andujar

Na história da Copa Davis, Brasil e Bélgica se enfrentaram três vezes, todas em território belga – os brasileiros deveriam ter jogado em casa em 1993, mas sofreu uma punição da ITF por irregularidades em confronto de 1992 e perdeu o direito de escolha do local.

Em 1960, na capital Bruxelas, Carlos Alberto Fernandes e Ronald Barnes formaram o time brasileiro derrotado por 3 a 2. Em 1993, na estreia de Fernando Meligeni, o Brasil que ainda tinha Luiz Mattar, Cássio Motta e Jaime Oncins, nova vitória belga por 3 a 1. Em 2016, desta vez em Ostend, a Bélgica venceu por 4 a 0 o Brasil de Melo, Soares, Bellucci e Monteiro.

João Zwetsch em entrevista coletiva na Copa Davis entre Bélgica e Brasil, em Ostend, em 2016

Crédito: Cristiano Andujar
No décimo ano à frente do Brasil, Zwetsch deve contar com retorno de ausentes em 2019       Crédito: Cristiano Andujar

Qual será o local do confronto?

Definido o confronto, fica agora para a Confederação Brasileira de Tênis a decisão do local, com as condições de altitude, piso e tipo de bola, de acordo com o que for mais favorável ao time brasileiro e desfavorável ao belga. Pelo regulamento vigente em 2018, a CBT tem até o dia 11 de novembro para enviar preenchido o formulário com a sede (se haverá mudanças neste quesito para 2019, a ITF ainda não divulgou em nenhum de seus canais)

Em seu último confronto em casa, o Brasil escolheu o piso duro e quadra coberta para receber os equatorianos em Belo Horizonte – em confronto que teve certos sustos, como a derrota de Rogerinho no primeiro dia.

Antes, a equipe de Zwetsch jogou no saibro no nível do mar e na umidade do Costão do Santinho, em Florianópolis, na derrota para a Croácia, em 2015. No ano anterior, a vitória diante da Espanha havia sido no saibro coberto do Ginásio do Ibirapuera, em São Paulo. 

Esta Copa Davis será a primeira em território brasileiro na gestão de Rafael Westrupp como presidente da CBT. Nas três edições anteriores (citadas acima), ele ajudou a decidir ativamente os locais como superintendente administrativo da gestão de Jorge Lacerda.

Em declaração divulgada pela assessoria de imprensa da entidade, o dirigente deixa claro que espera contar com algum apoio financeiro de prefeitura e/ou governo para definir a sede, o que ocorreu nos confrontos anteriores sediados em São Paulo, Florianópolis e Belo Horizonte.

Rafael Westrupp (de boné) no confronto entre Colômbia e Brasil em Barranquilla. Crédito: Matheus Joffre

“Já temos algumas cidades que se candidataram para sediar. Agora teremos a avaliação do capitão para atender às condições técnicas para o nosso time. A CBT precisará manter um nível de organização de alto padrão e isso tem um custo financeiro. Então, temos que encontrar o equilíbrio de fechar a conta, buscar um apoio local nessas cidades, e atender a parte técnica que o capitão solicitar”

Rafael Westrupp, presidente da CBT

O Sorteio

Além da Bélgica, as outras opções para o Brasil no sorteio eram Alemanha (em casa), Austrália (fora), Áustria (em casa), Canadá (fora), Cazaquistão (sorteio), Itália (em casa), Japão (em casa), Tchéquia (em casa), Sérvia (sorteio), Suécia (fora) e Suíça (em casa).

Os outros dois países sul-americanos na disputa, Colômbia e Chile tiveram sortes distintas na definição da ITF nesta quarta-feira.

Depois de derrotarem o Brasil no Zonal e perderem para a Argentina nos já extintos Playoffs do Grupo Mundial, os colombianos terão a Suécia em casa no Qualificatório de 2019, um dos adversários mais fracos entre os cabeças de chave. Já os chilenos terão de viajar à Áustria para encarar Dominic Thiem (número 7 do mundo), equipe que vem de vitória sobre a Austrália.

O sorteio definiu os seguintes confrontos para 1 e 2 de fevereiro:

🇧🇷🆚🇧🇪 🇺🇿🆚🇷🇸 🇦🇺🆚🇧🇦
🇮🇳🆚🇮🇹 🇩🇪🆚🇭🇺 🇨🇭🆚🇷🇺 
🇰🇿🆚🏳️ 🇨🇿🆚🇳🇱 🇨🇴🆚🇸🇪 
🇦🇹🆚🇨🇱 🏳️🆚🇨🇦 🇨🇳🆚🇯🇵

Os adversários de Canadá e Cazaquistão ainda serão definidos após o ranking do dia 29 de outubro, após os confrontos do Zonal Euro/África, podendo ser Israel, Portugal, Ucrânia ou Eslováquia.

Com Andy Murray como principal tenista, Grã-Bretanha se beneficiou pelo título de 2015 e garantiu convite ao lado da Argentina (campeã em 2016) para jogar as finais na Davis 2019            Crédito: Paul Zimmer
Com Andy Murray como principal tenista, Grã-Bretanha se beneficiou pelo título de 2015 e garantiu convite ao lado da Argentina (campeã em 2016) para jogar as finais na Davis 2019            Crédito: Paul Zimmer

Antes do sorteio desta quarta-feira, a ITF anunciou os dois wild cards (convites) para Argentina e Grã-Bretanha, respectivos campeões de 2015 e 2016, que estarão diretamente nas Finais ao lado de França, Croácia, Espanha e Estados Unidos, classificados como semifinalistas de 2018.


Capa do diário esportivo espanhol “As” destaca escolha de Madri para sede em 2019 e 2020 

Entenda como ficará a Copa Davis em 2019

1-2/fevereiro – 12 confrontos do qualificatório no formato casa/fora (com cinco jogos em melhor de três sets) definem os classificados para as Finais;

🇫🇷 🇭🇷 🇪🇸 🇺🇸 🇦🇷 🇬🇧

18-24/novembro – Os seis países acima e os 12 vencedores da fase classificatória disputam as Finais da Copa Davis durante uma semana na Caja Mágica, em Madri, na Espanha, em uma estrutura com três quadras grandes, no seguinte formato:

O campeão de cada grupo e os dois melhores segundos lugares avançam:

QUARTAS DE FINAL

SEMIFINAIS

FINAL


  • Os quatro países que alcançarem as semifinais estarão garantidos diretamente na fase final de 2020;
  • Os dois piores da fase de grupos serão rebaixados diretamente ao Zonal e os 12;
  • Os demais 12 países jogarão a Fase Classificatória contra os vencedores dos Zonais (Euro/África, Ásia/Oceania e Américas)

Brasil sai no lucro e pode jogar em casa na nova Davis

Thiago Monteiro e o capitão João Zwetsch no confronto entre Brasil e Colômbia pela Copa Davis 2018, em Barranquilla, na Colômbia. Crédito: Matheus Joffre/CBT

Thiago Monteiro e João Zwetsch na Copa Davis em Barranquilla, na Colômbia. 
Crédito: Matheus Joffre/CBT
Crédito: Matheus Joffre/CBT

Ausência de seus principais jogadores, vitória sofrida contra a República Dominicana e derrota inédita para a Colômbia. O ano de 2018 tinha ingredientes para ser trágico para a equipe brasileira da Copa Davis, mas a aprovação da mudança no formato da competição centenária deixou o tênis do Brasil no lucro e com grandes chances de sediar um confronto grande.

Graças à vitória canadense sobre a Holanda, que garantiu o país da América do Norte entre os cabeças de chave do Qualificatório de 2019, o Brasil pegou a terceira vaga por ranking das Américas, atrás de Colômbia e Chile, com os pontos descontados da vitória sobre a Espanha nos Playoffs de 2014.

O Brasil que, assim como todos os demais países sul-americanos, votou pela mudança no formato da competição e a adoção da proposta apresentada pelo zagueiro espanhol Gerard Piqué, deixa de jogar o Zonal Americano mesmo depois de ter ficado fora dos Playoffs do Grupo Mundial, o que não acontecia desde o boicote de 2004, que ajudou a derrubar Nelson Nastas do comando da Confederação Brasileira de Tênis.

A definição do adversário brasileiro acontece na quarta-feira, dia 26 de setembro, às 11h (de Brasília), em sorteio que será realizado na sede da Federação Internacional de Tênis (ITF), em Londres, na Inglaterra.

O Brasil pode ter os seguintes confrontos:

Em casa: 🇩🇪∙🇦🇷∙🇦🇹∙🇧🇪∙🇮🇹∙🇯🇵∙🇨🇿
Fora: 🇨🇦∙🇸🇪
Sorteio: 🇰🇿∙🇬🇧∙🇷🇸

Retrospecto dos confrontos

João Souza (Feijão) e Leonardo Mayer antes do jogo que ficaria marcado como o mais longo da Copa Davis, em Buenos Aires, 2015. Crédito: Cristiano Andujar/CBT
Reencontro entre Brasil e Argentina é uma das possibilidades. Crédito: Cristiano Andujar/CBT

🇩🇪∙6 confrontos disputados, com duas vitórias brasileiras e quatro alemãs. O confronto mais marcante para os brasileiros foi em 1992, quando Jaime Oncins brilhou na vitória diante da Alemanha de Boris Becker, no Rio de Janeiro. O encontro mais recente foi na edição 2013, em Neu-Ulm, com vitória dos donos da casa.

🇦🇷∙ 8 confrontos disputados, com duas vitórias brasileiras e seis argentinas. O primeiro encontro teve vitória de Thomaz Koch diante de Guillermo Vilas, em 1972, no Rio de Janeiro, com o Brasil levando a melhor. O confronto mais recente foi em 2015, no Tecnópolis, em Buenos Aires, com Leonardo Mayer vencendo Feijão na marcante maratona de 6h43.

🇦🇹∙2 confrontos disputados, com uma vitória para cada país.  Ambos os encontros foram marcantes por motivos diferentes. No primeiro, em 1996, na cidade de São Paulo, a irritação de Thomas Muster que abandonou a quadra na partida de duplas contra Gustavo Kuerten e Jaime Oncins, que definiu a vitória brasileira. 11 anos depois, em Innsbruck, a despedida de Guga e a estreia de Thomaz Bellucci.

🇧🇪∙ 3 confrontos e todos vencidos pela Bélgica. Todos os confrontos foram disputados em solo belga, em 1960, 1993 (com o Brasil tendo perdido mando como punição referente a 1992) e 2016, quando o time brasileiro sofreu sua pior derrota em anos, caindo ainda no sábado, em Ostend.

🇮🇹∙ 4 confrontos, com duas vitórias para cada país. Em 1992, em Maceió, o time capitaneado por Paulo Cleto garantiu a vitória de virada para ir à semifinal da Davis. O último encontro foi em 1993, em Modena, com o Brasil sendo derrotado já nas duplas no sábado.

🇯🇵∙ O único confronto aconteceu no ano passado, em Osaka, quando o Japão jogou desfalcado de Kei Nishikori e o Brasil de Thomaz Bellucci, em confronto encerrado apenas na segunda-feira por causa de um tufão, que ainda teve episódios de vídeo com ofensa a Nishikori e gestual ofensivo que rendeu punição ao tenista gaúcho Guilherme Clezar.

🇨🇿∙ 4 confrontos, com três vitórias dos tchecos e uma brasileira. O único triunfo do Brasil foi em 1971, em Porto Alegre, com Mandarino e Koch fechando a disputa nas duplas contra o time que tinha Jan Kodes. O duelo mais recente foi em 2002, em Ostrava, com os brasileiros desfalcados de Guga na derrota definida já no segundo dia, nas duplas.

🇨🇦∙ 6 confrontos, com quatro vitórias do Brasil e duas para os canadenses. Um dos encontros mais marcantes ocorreu em 2002, nos Playoffs para o Grupo Mundial, quando Guga, Fernando Meligeni e André Sá bateram o time de Daniel Nestor e Frank Dancevic no segundo dia no Rio de Janeiro. O confronto mais recente também foi vencido pelos brasileiros, com Ricardo Mello e Flávio Saretta, em 2007, no Costão do Santinho, em Florianópolis.

🇸🇪∙ 2 confrontos, ambos vencidos pela Suécia. O primeiro encontro foi em 2003 e marcou a última participação brasileira no Grupo Mundial antes de um hiato de 10 anos. Em Helsingborg, o Brasil de Guga, Sá e Saretta foi superado no quinto jogo por Jonas Bjorkman e Andreas Vinciguerra. No último encontro, a polêmica despedida de Meligeni do cargo de capitão, em 2007, em Belo Horizonte, que teve até fogo na quadra de saibro.

🇰🇿∙ O Brasil nunca enfrentou o Cazaquistão na Copa Davis.

🇬🇧∙ 4 confrontos, todos sediados e vencidos pela Grã-Bretanha. O encontro mais recente aconteceu na edição de 1969, na grama da Quadra 1 de Wimbledon, com Koch e Mandarino derrotados na quinta partida do confronto pela equipe que tinha Graham Stilwell e Mark Cox.

🇷🇸∙ O único confronto ocorreu em 1967, com o Brasil vencendo a antiga Iugoslávia, em Zagreb (atual território croata). Koch e Mandarino garantiram a vitória brasileira pelo Zonal Europeu. Obs: O Brasil não tem garantido o direito de sediar o confronto caso enfrente a Sérvia, pois a alternância de sedes da Copa Davis ocorre a partir de 1970.

Que Brasil?

Thomaz Bellucci na Copa Davis entre Brasil e Espanha em São Paulo, 2014. Crédito: Cristiano Andujar/CBT
Thomaz Bellucci não jogou a Copa Davis em 2018. Crédito: Cristiano Andujar/CBT

Independentemente dos possíveis adversários, resta saber qual será o Brasil que jogara o Qualificatório da Copa Davis 2019. Nos últimos confrontos, Thomaz Bellucci, Rogerio Dutra Silva e Bruno Soares ficaram fora do time comandado por João Zwetsch, que promoveu as estreias de Marcelo Demoliner e João Pedro Sorgi, além de resgatar Guilherme Clezar.

Presentes mesmo em equipes desfalcadas, Thiago Monteiro e Marcelo Melo provavelmente estarão dentro do time mais uma vez. A dúvida fica nas outras três vagas. Bellucci, Rogerinho e Soares voltam?

João Menezes, Karue Sell, Orlando Luz e Thiago Wild, campeão juvenil no US Open seriam opções para confrontos grandes em busca de evitar a volta ao Zonal Americano? A decisão ficará para a CBT e João Zwetsch, que ao que consta, iniciará seu décimo ano no comando do time brasileiro.

O Brasil ainda não sediou um confronto de Copa Davis na gestão de Rafael Westrupp como presidente da Confederação Brasileira de Tênis. A última vez que o país jogou em casa foi em 2016 contra o Equador, em Belo Horizonte, pelo Zonal Americano. Pelos Playoffs, o último confronto como mandante foi contra a Croácia, em 2015, em Florianópolis. Já pelo Grupo Mundial, o Brasil foi sede pela última vez em 2001, contra a Austrália, em Florianópolis, na inauguração do local que hoje sedia a CBT.


Copa Davis repete final da Fifa na despedida da fórmula

Como na final da Copa do Mundo de futebol, a Copa Davis terá uma decisão entre França e Croácia em novembro

 

O último fim de semana definiu a classificação de França e Croácia para a final da Copa Davis de tênis, assim como ocorreu na Copa do Mundo de futebol em julho deste ano. Na despedida do atual formato da competição centenária, franceses e croatas jogam entre 23 e 25 de novembro pelo título.

Nas semifinais, os franceses derrotaram a Espanha que ficou desfalcada de Rafael Nadal na semana prévia ao confronto (o espanhol também precisou abandonar a semifinal do US Open contra Juan Martin Del Potro).

E teve estreia pelo lado francês, com Benoit Paire, de 29 anos, vencendo e se emocionando na abertura do confronto em Lille ao fazer 7/5, 6/1 e 6/0 sobre Pablo Carreño Busta. Crítico da troca de formato da competição, Lucas Pouille deu o segundo ponto aos franceses no que a Copa Davis tem (e deixará de ter) de melhor, um jogo de 5 sets [3/6, 7/6(5), 6/4, 2/6 e 6/4] contra Roberto Bautista Agut. A dupla de Julien Benneteau e Nicolas Mahut fechou a fatura contra Marcel Granollers e Feliciano López, com 6/0, 6/4 e 7/6(7)

Coric impede virada americana

No saibro de Zadar, na Croácia, o confronto não poderia ser mais típico do já quase saudoso formato da Copa Davis. Sem John Isner e Jack Sock, o time dos Estados Unidos conseguiu igualar um confronto que perdiam por 2 a 0 e estiveram a um set da virada com o jovem Frances Tiafoe. Mas Borna Coric salvou a pele do número 6 do mundo Marin Cilic (derrotado por Sam Querrey) e venceu no quinto set do quinto jogo ao fechar em 6-7(0), 6/1, 6/7(11), 6/1 e 6/3, em 4h06 de partida.

Borna Coric: “É o dia mais especial da minha vida, de longe, com essa torcida”

 


Playoffs definem classificados da nova Davis

Enquanto se definiam os finalistas do Grupo Mundial da Copa Davis, oito confrontos foram disputados valendo a condição de cabeça de chave nos confrontos do Qualificatório de 2019, marcados para o início de fevereiro.

  • 🇦🇷 4-0  🇨🇴▶︎ A Argentina com Diego Schwartzman, número 14 do mundo, bateu a Colômbia facilmente já no terceiro jogo, em San Juán;
  • 🇬🇧 3-1  🇺🇿▶︎ A Grã-Bretanha com Jamie Murray (top 10 nas duplas), mas sem seu irmão Andy, bateu o Uzbequistão em Glasgow;
  • 🇦🇹 3-1  🇦🇺▶︎ Liderada por Dominic Thiem, número 8 do mundo, a Áustria derrotou a Austrália, que teve seu único ponto com o capitão Lleyton Hewitt jogando nas duplas, em Graz, no saibro austríaco;
  • 🇨🇭 2-3 🇸🇪▶︎ Em um confronto daqueles que certamente motivaram a troca de formato da Davis, a Suíça sem Roger Federer e Stan Wawrinka (que não jogam a competição já á algum tempo), perdeu para a fraca equipe da Suécia em Biel;
  • 🇷🇸 4-0  🇮🇳▶︎ Sem o campeão do US Open, Djokovic, a Sérvia passou facilmente pela Índia com Dusan Lajovic e Laslo Djere em simples;
  • 🇨🇦 3-1 🇳🇱▶︎ Recuperado fisicamente, o atual número 20 do mundo, Milos Raonic, garantiu seus dois pontos em simples para o Canadá, que teve a despedida de Daniel Nestor nas duplas, contra a Holanda; 
  • 🇭🇺3-2 🇨🇿▶︎ Ah os confrontos decididos no quinto jogo. À beira da extinção, o quinto jogo definiu a vitória de virada da Tchéquia (novo nome da República Tcheca) sobre a Hungria, em Budapeste, em confronto com apenas um top 100 em quadra (Jiri Vesely);
  • 🇯🇵 4-0 🇧🇦▶︎ Não precisou de Kei Nishikori. O Japão de Taro Daniel e Yoshihito Nishioka passou tranquilamente pela Bósnia em Osaka.


Família Wild se mudou para o Rio pelo tênis de Thiago, campeão no US Open

Crédito: Garrett Ellwood/USTA

Pela primeira vez na história o tênis brasileiro tem um campeão na chave de simples do torneio juvenil do US Open, o último Grand Slam da temporada. O paranaense Thiago Wild conquistou neste domingo o título em sua despedida do circuito juvenil ao vencer o italiano Lorenzo Musetti por 2 sets a 1, com parciais de 6/1, 2/6 e 6/2, em 1h18min.

Crédito: Garrett Ellwood/USTA

Este é o segundo título de simples vencido por brasileiros em torneios juvenis de Grand Slam, encerrando um hiato de oito anos desde a conquista do alagoano Tiago Fernandes. Em duplas juvenis, Gustavo Kuerten venceu Roland Garros em 1994, Orlando Luz e Marcelo Zormann conquistaram Wimbledon em 2014 e Felipe Meligeni Alves foi campeão do US Open em 2016.

Aos 18 anos, Wild já está em transição para o profissional e ocupa o 464º lugar no ranking de simples da ATP. Em sua faixa etária, há apenas seis tenistas em sua frente no ranking profissional.

Thiago com o pai ainda no Paraná

Nascido e criado em Marechal Cândido Rondon, no Paraná, Thiago é filho do professor de tênis Claudio Wild e sua capacidade no esporte levou o pai a deixar sua academia no interior paranaense e se mudar para o Rio de Janeiro levando sua esposa Gisela e a filha Luana, que também é tenista.

Claudio passou a trabalhar na Tennis Route, mesmo local onde o filho treina sob o comando do experiente gaúcho João Zwetsch, capitão do Brasil na Copa Davis desde 2010 (que também treinou Thomaz Bellucci, Flávio Saretta e Guilherme Clezar, entre outros), e acompanhado pelo técnico mineiro Arthur Rabelo.

Thiago Wild na categoria 14 anos, pouco antes da ida ao Rio. Foto: Rubens Lisboa

Criança agitada e que dava trabalho ao pai na academia, Thiago foi levado para dentro da quadra para gastar a energia aprendendo tênis, conseguiu se desenvolver bem no esporte e se tornou o mais promissor tenista brasileiro dos últimos anos. Mesmo antes de vencer a chave juvenil do US Open, o paranaense já mostrava um jogo potente e vem tendo seu talento lapidado na Tennis Route há cerca de quatro anos.

Em 2017, foi vice-campeão do tradicional torneio internacional Banana Bowl, em Criciúma, venceu em seguida o Sul-Americano Individual em Mar del Plata, na Argentina e o Città di Santa Croce, na Itália, além de ser finalista pela primeira vez em um torneio profissional no Future de Antália, na Turquia. Neste ano, já havia sido semifinalista da chave juvenil em Roland Garros em simples e duplas, além de alcançar três finais profissionais em simples, com os títulos em Antália, na Turquia, e São José do Rio Preto, e o vice em Curitiba.

Tiago Fernandes em 2010. Crédito: Australian Open

Thiago Wild tem um jogo agressivo, inteligente, tem personalidade e é vencedor. Briga o jogo todo, busca vitórias em jogos improváveis e às vezes também se perde um pouco na própria cabeça.

Títulos de Grand Slam não são garantia de sucesso como profissional. O Brasil mesmo já teve o caso de Tiago Fernandes, que abandonou as quadras aos 21 anos, mas o tênis brasileiro tem um tenista para ser trabalhado com o devido cuidado para que não seja mais um caso de bom juvenil que fica pelo caminho.

Tentar transformar campeões juvenis em ídolos é um erro que tem sido recorrente no tênis brasileiro e exemplos não faltam.

 

Abaixo os brasileiros de destaque em torneios de Grand Slam juvenil

Campeões de simples:
Tiago Fernandes – Australian Open 2010
Thiago Wild – US Open 2018

Campeões de duplas:
Gustavo Kuerten – Roland Garros 1994
Orlando Luz e Marcelo Zormann – Wimbledon 2014
Felipe Meligeni Alves – US Open 2016

Vice-campeões de simples:
Ivo Ribeiro – Wimbledon 1957
Edison Mandarino – Roland Garros 1959
Ronald Barnes – Wimbledon 1959
Thomaz Koch – Roland Garros 1962 e 1963
Luis Felipe Tavares – Roland Garros 1967

Vice-campeões de duplas:
Ricardo Schlachter – Wimbledon 1994
Guilherme Clezar – Roland Garros 2009
Beatriz Haddad Maia – Roland Garros 2012 e 2013
Rafael Matos e João Menezes – US Open 2014
Orlando Luz – Roland Garros 2016

Tênis aprova proposta de Piqué e muda a Copa Davis após 118 anos

ITF aprovou reforma apresentada pelo jogador de futebol Gerard Piqué e a Copa Davis terá sua maior mudança

Copa Davis a céu aberto, no saibro, com torcida da casa e jogos em melhor de 5 sets acaba em 2018
Crédito: Cristiano Andujar

A Assembleia Geral da Federação Internacional de Tênis (ITF) aprovou nesta quinta-feira, em Orlando, nos Estados Unidos, uma reforma histórica na Copa Davis, um dos eventos mais tradicionais do esporte mundial, que muda completamente o seu formato após 118 anos com uma proposta prometendo $ 3 bilhões em 25 anos para investimentos na base do esporte.

Campeão em 2017, Pouille prometeu boicote. Crédito: Corinne Dubreil

Com o nome “Copa do Mundo do Tênis” adotado nos últimos anos pela entidade internacional, a competição agora terá um formato de Mundial. Em um modelo apresentado por Gerard Piqué, zagueiro do Barcelona e marido da cantora pop Shakira, e contestado por ex-tenistas como Lleyton Hewitt e jogadores em atividade como o francês Lucas Pouille (que prometeu boicotar a competição), o americano David Haggerty consegue sua maior vitória à frente da ITF depois e viajar pelo mundo em campanha prometendo ajuda aos países votantes.

Ao todo foram 71,4% os votos de aprovação, incluíndo países como Azerbaijão, Botsuana, Gana, Santa Lucia e Togo, entre outros que nem participaram da Copa Davis nos últimos anos. Outro caso controverso foi a participação do francês Bernard Giudicelli no processo enquanto o mesmo responde criminalmente por difamação.

Presente do Grupo Mundial apenas duas vezes nos últimos 15 anos, o Brasil votou favorável à reforma em bloco com os demais países sul-americanos.

O novo formato será o seguinte:

Os 4 semifinalistas de 2018 (🇫🇷 🇪🇸 🇭🇷 🇺🇸) já estão garantidos no Grupo Mundial que acontece entre 18 e 24 de novembro de 2019 em sede a ser definida entre Lille (França) e Madri (Espanha).

Os próximos 24 melhores colocados no ranking da Copa Davis jogarão uma repescagem em fevereiro na qual os 12 vencedores se juntam aos já classificados. Além disso, haverá 2 wild cards (convites) para formar os 18 que competem pelo título.

Os 18 países serão divididos em 6 grupos com 3 equipes cada. Os confrontos da fase de grupos acontecem entre segunda e quinta-feira, com quatro confrontos por dia (2 jogos de simples e 1 de duplas, todos em melhor de três sets).

O vencedor de cada grupo e os dois melhores segundos colocados (definidos por + confrontos, + sets e + games vencidos – nesta ordem) avançam para as quartas de final, seguidas da semifinal e a final. Tudo no mesmo local, com apenas três jogos e em melhor de três sets.

Na sexta-feira acontecem os quatro confrontos de quartas de final, com as semifinais no sábado e a final no domingo.

Os dois piores times serão rebaixados para o Zonal I de 2020, enquanto os outros 12 times jogarão o Playoff com os vencedores dos zonais (6 Europa/África, 3 Ásia/Oceania e 3 Américas) de 2019 em fevereiro de 2020.

A nova Copa Davis não se difere muito dos Mundiais juvenis de 14 e 16 anos que são realizados pela mesma ITF, exceto pelos dois convites políticos que deixam a competição com 18 times em vez dos 16 das categorias de base.

E quem perder aquele confronto de fevereiro? Esses vão para os zonais, que seguirão sendo disputados no mesmo formato de hoje, ao longo do ano, com os vencedores se classificando para este grande Playoff de fevereiro.

O que não foi explicado

Suíça com Federer e Wawrinka foi campeã em 2014. Crédito: Paul Zimmer

Entre os países que votaram contra uma das principais críticas foi a falta de respostas para algumas questões, além do período de disputa da nova Copa Davis, que será logo após o ATP Finals, competição que já costuma perder jogadores em um extenuante final de temporada.

A grande justificativa da ITF para mudar a competição é a ausência dos principais tenistas, o que nada garante que mudará com o novo formato, exceto pelo forte aporte financeiro trazido pelo grupo Kosmos.

O período também inviabiliza que se jogue em pisos diversos e em quadras descobertas, uma vez que Europa e Estados Unidos são os principais candidatos a receber a competição. E qualquer chuva quebraria toda a programação com tantos jogos previstos diariamente.

E os playoffs que acontecem em setembro com ingressos sendo vendidos? Os vencedores serão apenas cabeças de chave e precisarão vencer seus confrontos em fevereiro para participar da Copa Davis em novembro, podendo até repetir um confronto de setembro já que os demais classificados serão definidos por ranking.

Outro ponto crítico da Copa Davis nos últimos anos, que é a questão do calendário, com os confrontos acontecendo logo após Grand Slams ou eventos grandes da ATP não será resolvida. Os Playoffs acontecerão em fevereiro (após Australian Open), os Zonais em abril (após Miami) e setembro (após US Open), enquanto as Finais serão logo após o ATP Finals.

E as mulheres?

Fed Cup não entra no pacote de mudanças
Crédito: Paul Zimmer

Em uma semana na qual a ITF anunciou um grande plano de promover a igualdade de gênero no tênis, a mesma entidade não apresentou nada para a Fed Cup, a Copa do Mundo feminina. A proposta do grupo Kosmos e Gerard Piqué envolveu apenas a Copa Davis e até copia em parte o formato dos zonais na competição feminina.

E se a Copa Davis não tem contado tanto com as principais estrelas do tênis masculino, a Fed Cup sofre deste mal há mais tempo e algumas vezes só conta com as melhores jogadoras da WTA por causa da obrigatoriedade mínima de participação visando os Jogos Olímpicos.

O que pensam os brasileiros

Soares e Melo no confronto com a Argentina em 2015, última participação brasileira no Grupo Mundial
Crédito: Cristiano Andujar

Em 2012 a ITF já havia questionado os países sobre o formato da Copa Davis e a Confederação Brasileira de Tênis respondeu que deveria ser mantido como estava. Na época, o presidente era Jorge Lacerda, antecessor e ‘padrinho político’ do atual presidente Rafael Westrupp.

Westrupp recebeu a visita de David Haggerty na sede da CBT e então passou a defender a mudança no formato. A mudança de postura acaba sendo comum no momento em que o Brasil teve pela primeira vez em alguns anos a recusa de seus principais jogadores de disputar a Copa Davis.

Por motivos diversos, Bruno Soares, Thomaz Bellucci, Rogerio Dutra Silva e João Souza optaram por não jogar a competição em 2018. Bellucci havia ficado fora de apenas dois confrontos até então, ambos devido a lesões e jogou até lesionado contra a Colômbia em 2012 e Alemanha em 2013.

Questionado por este blog sobre a mudança no formato da Copa Davis, Gustavo Kuerten defendeu que a competição mude, mas declarou preferir que fosse disputada a cada 2 anos.

“Eu acho que a Copa Davis precisa mudar. Ela vem perdendo o sabor e o prestígio ao longo dos anos. É difícil saber como manusear, porque o ponto além da Copa Davis ainda é o calendário do tenista, que é inumano. Precisa mudar a Copa Davis e precisam mudar os 5 sets”, afirma Guga.

“Eu faria com um maior intervalo de tempo, de dois em dois anos uma Copa Davis, não sei se de uma maneira direta assim de um local para resolver toda a questão, mas como um produto a gente olha uma Copa do Mundo e visualiza algo que é fantástico”, conclui o tricampeão de Roland Garros, que defendeu o Brasil na Copa Davis 23 confrontos entre 1996 e 2007.

O Brasil, vale lembrar, fez uma de suas piores campanhas na Copa Davis em 2018. Ganhou de forma bastante sofrida contra a República Dominicana e perdeu para a Colômbia pela primeira vez na história no Zonal Americano. Fora do Grupo Mundial, o país deve sair no lucro e pegar uma das vagas das três Américas no qualificatório de fevereiro devido ao ranking.

Mudanças do tênis

Embora esta seja a mudança mais radical da Copa Davis em 118 anos, é preciso lembrar que a competição já teve formatos diferentes até 1980, quando não existia o Grupo Mundial.

Durante um longo período, a Copa Davis era disputada em grupos continentais, com os vencedores de Europa, Américas e Ásia se enfrentando em um Interzonal seguido de uma final.

Os confrontos eram em datas mais próximas e o Brasil esteve no Interzonal duas vezes, perdendo em 1966 para a Índia e em 1971 para a Romênia. Durante o período, o Brasil de Thomaz Koch e Edison Mandarino disputou algumas vezes o Zonal Europeu e não o das Américas.

Obrigado, Maria Esther Bueno!

Maria Esther Bueno campeã em Wimbledon

O tênis brasileiro existia, mas era pouquíssimo relevante antes do surgimento de Maria Esther Bueno. Ela foi desbravadora no esporte, aprendeu a jogar pelo talento próprio de observação e criou um estilo próprio, marcante e vencedor para viajar sozinha pela Europa e conquistar aos 19 anos seu primeiro título de simples em Wimbledon, um ano depois de ter conquistado as duplas no mesmo local.

A soma de conquistas de Maria Esther fala por tudo. Nenhum outro tenista brasileiro ou sul-americano conquistou algo próximo dela. Em Nova York ou Londres, todos o tratavam de forma muito respeitosa e reconheciam a sua importância. Vi Roger Federer, o ídolo de tantos, falar com ela como um fã, com um respeito tremendo pela história da maior tenista brasileira de todos os tempos e provável top 5 do país entre atletas de todas as modalidades (dispenso fazer lista porque esportes são diferentes, épocas são diferentes, pessoas são diferentes e pensam diferente).

Maria Esther em clínica para deficientes no Rio Open. Crédito: Fotojump

Mas no Brasil que conquistou seus primeiros títulos mundiais de futebol em 1958 e 1962, esqueceu-se de outros esportes e atletas vitoriosos que por aqui nasceram sabe-se lá o motivo. E Maria Esther foi uma das atletas que por muitos anos ficaram de lado, abaixo de muita gente que não conquistou metade. Uma mulher vencedora em um país machista, uma mulher que não era “da elite” em um esporte que aqui sempre foi tratado como “de elite” não por excelência, mas por pouca acessibilidade.

Em um período em que as mulheres ainda tinham tão pouca voz, Maria Esther falava com a classe de suas raquetadas, seu voleio e suas vitórias. Ao todo foram 19 títulos de Grand Slam, sendo 7 deles em simples, mais que o dobro de qualquer outro tenista brasileiro. Nas duplas, ela fechou em 1960 o Grand Slam, algo que apenas outras três jogadoras no mundo e na história conseguiram.

Ela plantou a semente que poucos brasileiros conseguiram colher anos depois. Lembremos que até os dias atuais, o Brasil soma 30 títulos de Grand Slam em chaves principais (adultas). E praticamente dois terços foram conquistados por Maria Esther Bueno. Os demais foram apenas por homens: Bruno Soares (5), Gustavo Kuerten (3), Marcelo Melo (2) e Thomaz Koch (1).

Maria Esther Bueno com Roger Federer em São Paulo. Crédito: DGW

Um título não desvaloriza outro, um ídolo não apaga o brilho de outro. Mas aqui no Brasil acontece algumas vezes, em especial por quem não deveria – leia-se dirigentes e os torcedores mais novos -, de tratar de especificar que Maria Esther foi grande “no feminino”, quando sim, ela é mulher e ganhou mais que todos os homens brasileiros juntos no tênis em títulos de Grand Slam, numa época em que não tinha premiação milionária, as viagens eram difíceis, não tinha patrocinador estatal despejando dinheiro no esporte, nem Bolsa Atleta.

Maria Esther competiu em uma época em que o tênis não era olímpico, não teve a oportunidade de conquistar uma medalha em Jogos Olímpicos como teve nos Jogos Pan-Americanos de São Paulo-1963, quando ganhou três (uma de ouro em simples e duas de prata nas duplas e duplas mistas).

Como jornalista, tive a oportunidade de conhecer Maria Esther Bueno em 2008. Foi a primeira vez que pedi uma entrevista e ela negou. Tive mais uma tentativa frustrada algum tempo depois. Quando trabalhei como assessor de imprensa, me frustrei pela falta de qualquer homenagem a ela no primeiro WTA de Florianópolis, pude conversar com ela na vinda de Roger Federer ao Brasil, quando presenciei um encontro entre ela, Federer e Guga Kuerten (sim, sou um privilegiado) em um lounge e na quadra montada do Ginásio do Ibirapuera. Depois, trabalhando para o Brasil Open, fui levar material para ela e Eusébio Resende na cabine do Sportv e fui muito bem tratado pela Maria Esther, com direito a elogio que poderei contar aos netos.

Anúncio da Quadra Maria Esther Bueno. Crédito: Cristiano Andujar

Também presenciei o que considero uma parte feliz à época e triste hoje. Eu trabalhei no evento-teste dos Jogos Olímpicos do Rio no Centro Olímpico que teve a quadra central batizada de Maria Esther Bueno, com a presença dela batendo bola. O Guga também estava lá. Vários dirigentes e políticos estavam lá posando para foto com os dois. Pois hoje a homenagem que deram está lá sem nenhum evento de tênis desde encerrados os Jogos Olímpicos e Paralímpicos.

Se querem homenagear Maria Esther Bueno sem nenhuma demagogia, que as autoridades se acertem e tornem aquele local como um grande centro nacional de tênis com torneio, eventos e um museu dela.

Que bom que o Rio Open tratou de homenageá-la nesses cinco anos de torneios, e que o Sportv a manteve como comentarista para que o público mais jovem saiba quem foi este fenômeno do esporte brasileiro. E que bom podermos ver em sua homenagem textos como o de José Nilton Dalcim e de Alexandre Cossenza, neste belo material do UOL.

Desejo que a nossa rainha do tênis possa descansar em paz e que não se diminua jamais os feitos alcançados por ela. Obrigado por tudo e nos desculpe por tudo, Maria Esther Bueno!

Pan de Lima dará vaga nos Jogos Olímpicos aos finalistas do tênis

Fernando Meligeni foi ouro em Santo Domingo-2003. Foto: Washington Alves/COB

Os Jogos Olímpicos de Tóquio-2020 terão a participação de tenistas de todos os continentes após o anúncio, nesta quarta-feira, pela Federação Internacional de Tênis (ITF), das vagas direcionadas aos medalhistas de ouro e prata de simples nos Jogos Pan-Americanos Lima-2019, os campeões dos Jogos Asiáticos Indonésia-2018 e dos Jogos Africanos Lukasa-2019, além de representantes da Europa e Oceania com melhor ranking entre países que não estejam representados.

Nas duas últimas edições dos Jogos Olímpicos houve uma certa confusão em relação aos classificados, principalmente no Brasil, que não teve vagas diretas em simples para Londres-2012 e teve apenas uma para o Rio-2016. No primeiro caso, Thomaz Bellucci foi encaixado nas vagas ITF e no segundo foi a vez de Rogerio Dutra Silva e Teliana Pereira entrarem também nas vagas restantes pelo fato de o Brasil ser sede da Olimpíada.

Rogerinho foi prata em Guadalajara-2011. Foto: COB

Assim, os Jogos Olímpicos de Tóquio terão a classificação direta de 56 tenistas via ranking de simples (ATP/WTA) e outras seis vagas continentais, com a seguinte distribuição: Américas (2), África (1), Ásia (1), Europa (1) e Oceania (1). Para que as vagas de competições continentais sejam garantidas, os ocupantes deverão estar dentro do top 300 em seus devidos rankings no dia 8 de junho de 2020, além de respeitarem o limite de quatro tenistas de simples por país em cada gênero.

Sem vaga direta na última edição dos Jogos Pan-Americanos, em Toronto-2015, o Brasil optou por enviar os jovens Orlando Luz, João Menezes e Marcelo Zormann na disputa masculina, além de Beatriz Haddad Maia, Paula Gonçalves e Gabriela Cé na feminina. O país acabou sem medalhas no tênis pela primeira vez 1983.

Bia Haddad Maia disputou o Pan de Toronto-2015. Foto: Saulo Cruz/Exemplus/COB

Pelos rankings atuais, apenas Beatriz Haddad Maia teria chances de vaga direta em simples nos Jogos de Tóquio entre os brasileiros. Os tenistas do país que integram o top 300 no masculino hoje são Thiago Monteiro, Rogerio Dutra Silva, Thomaz Bellucci, Guilherme Clezar e João Souza, o Feijão. No ranking feminino, nenhuma jogadora além de Bia está entre as 300 melhores.

Os Jogos Pan-Americanos de Lima acontecem entre os dias 26 de julho e 11 de agosto de 2019. O tênis será disputado no clube Lawn Tennis de la Exposición.

Veja abaixo a lista de medalhistas de simples em Jogos Pan-Americanos:


Toronto 2015 
M: Facundo Bagnis 🇦🇷 🥇;  Nicolas Barrientos 🇨🇴 🥈; Dennis Novikov 🇺🇸 🥉
F: Mariana Duque Mariño 🇨🇴 🥇; Victoria Rodriguez 🇲🇽 🥈; Monica Puig 🇵🇷 🥉


Guadalajara 2011
M: Robert Farah 🇨🇴 🥇; Rogerio Dutra Silva 🇧🇷 🥈; Victor Estrella Burgos 🇩🇴 🥉
F: Irina Falconi 🇺🇸 🥇; Monica Puig 🇵🇷 🥈; Christina McHale 🇺🇸 🥉


Rio de Janeiro 2007
M: Flávio Saretta 🇧🇷 🥇; Adrián Garcia 🇨🇱 🥈; Eduardo Schwank 🇦🇷 🥉
F: Milagros Sequera 🇻🇪 🥇; Mariana Duque Mariño 🇨🇴 🥈; Betina Jozami 🇦🇷 🥉


Santo Domingo 2003
M: Fernando Meligeni 🇧🇷 🥇; Marcelo Ríos 🇨🇱 🥈; José de Armas 🇻🇪 e Alex Kim 🇺🇸 🥉
F: Milagros Sequera 🇻🇪 🥇; Sarah Taylor 🇺🇸 🥈; Kristina Brandi 🇵🇷 e Ansley Cargill 🇺🇸 🥉


Winnipeg 1999
M: Paul Goldstein 🇺🇸 🥇; Cecil Mamiit 🇺🇸 🥈; David Nalbandian 🇦🇷 e Paulo Taicher 🇧🇷 🥉
F: María Vento 🇻🇪 🥇; Tara Snyder 🇺🇸 🥈; Mariana Díaz Oliva 🇦🇷 e Alexandra Stevenson 🇺🇸 🥉


Mar del Plata 1995
M: Hernán Gumy 🇦🇷 🥇; Javier Frana 🇦🇷 🥈; Jimy Szymanski 🇻🇪 🥉
F: Florencia Labat 🇦🇷 🥇; Ann Grossman 🇺🇸 🥈; Chanda Rubin 🇺🇸 🥉


Havana 1991
M: Luis Herrera 🇲🇽 🥇; David DiLucia 🇺🇸 🥈; Marcelo Saliola 🇧🇷 🥉
F: Pam Shriver 🇺🇸 🥇; Joelle Schad 🇩🇴 🥈; Andrea Vieira 🇧🇷 🥉


Indianápolis 1987
M: Fernando Roese 🇧🇷 🥇; Al Parker 🇺🇸 🥈; Luke Jensen 🇺🇸 🥉
F: Gisele Miró 🇧🇷 🥇; Adriana Isaza 🇨🇴 🥈; María Mendez 🇦🇷 e Patricia Miller 🇺🇾 🥉


Caracas 1983
M: Greg Holmes 🇺🇸 🥇; Fernando Pérez 🇲🇽 🥈; Christian Miniussi 🇦🇷 🥉
F: Gretchen Rush 🇺🇸 🥇; Gigi Fernandez 🇵🇷 🥈; Heliane Steden 🇲🇽 🥉


San Juan 1979
M: Mel Purcell 🇺🇸 🥇; Ricardo Acuña 🇨🇱 🥈; Andrés Gomez 🇪🇨 🥉
F: Susan Hagey 🇺🇸 🥇; Trey Lewis 🇺🇸 🥈; María Llamas 🇲🇽 🥉


Cidade do México 1975
M: Kenneth Walts 🇺🇸 🥇; Adolfo González 🇲🇽 🥈; Freddy de Jesus 🇵🇷 🥉
F: Lele Forood 🇺🇸 🥇; Patrícia Medrado 🇧🇷 🥈; Leyla Musalem 🇨🇱 🥉


Winnipeg 1967
M: Thomaz Koch 🇧🇷 🥇; Herbert Fitzgibbon 🇺🇸 🥈; Arthur Ashe 🇺🇸 🥉
F: Elena Subirats 🇲🇽 🥇; Patsy Rippy 🇺🇸 🥈; Jane Albert 🇺🇸 🥉


São Paulo 1963
M: Ronald Barnes 🇧🇷 🥇; Mario Llamas 🇲🇽 🥈; Francisco Contreras 🇲🇽 🥉
F: Maria Esther Bueno 🇧🇷 🥇; Yolanda Ramírez 🇲🇽 🥈; Darlene Hard 🇺🇸 🥉


Chicago 1959
M: Luis Ayala 🇨🇱 🥇; Robert Bedard 🇨🇦 🥈; Jon Douglas 🇺🇸 🥉
F: Althea Gibson 🇺🇸 🥇; Yolanda Ramírez 🇲🇽 🥈; Dorothy Knode 🇺🇸 🥉


Cidade do México 1955
M: Arthur Larsen 🇺🇸 🥇; Enrique Morea 🇦🇷 🥈; Luis Ayala 🇨🇱 🥉
F: Rosa María Reyes 🇲🇽 🥇; Yolanda Ramírez 🇲🇽 🥈; Ingrid Metzner 🇧🇷 🥉


Buenos Aires 1951
M: Enrique Morea 🇦🇷 🥇; Alejo Russell 🇦🇷 🥈; Gustavo Palafox 🇲🇽 🥉
F: María Teran Weiss 🇦🇷 🥇; Felisa Piedrola 🇦🇷 🥈; Imelda Ramírez 🇲🇽 🥉