Impedido há 15 anos, Jaime Oncins é o capitão do Brasil na Copa Davis

A Confederação Brasileira de Tênis anunciou na manhã desta sexta-feira o ex-tenista Jaime Oncins como novo capitão do Brasil na Copa Davis, em substituição ao recém-saído João Zwetsch. O anúncio acontece 15 anos depois da frustração do paulista

Anúncios

Ex-tenista vai comandar time brasileiro na Copa Davis em setembro, 15 anos depois de ser impedido de assumir o cargo devido a um boicote

A Confederação Brasileira de Tênis anunciou na manhã desta sexta-feira o ex-tenista Jaime Oncins como novo capitão do Brasil na Copa Davis, em substituição ao recém-saído João Zwetsch. O anúncio acontece 15 anos depois da frustração do paulista, que acabou vítima do boicote dos jogadores em um movimento que afastou Nelson Nastás e culminou com a entrada de Jorge Lacerda na presidência da entidade.

Jaime Oncins será o novo capitão do Brasil na Copa Davis
Crédito: Celso Pupo/Foto Arena/CBT

“Com muito orgulho recebi e aceitei o convite de ser o capitão da Davis, uma competição onde sempre me identifiquei como jogador. A chance de poder colocar a mesma dedicação e espírito de equipe que sempre tive ao longo de minha carreira como profissional me motiva. Espero contribuir de forma bastante positiva para a equipe brasileira, dentro e fora das quadras”

afirmou Jaime em comunicado da CBT.

Oncins tem em quadra um histórico que poucos jogadores brasileiros alcançaram na Copa Davis. Integrou os times semifinalistas de 1992, quando foi fundamental para vencer a Alemanha de Boris Becker durante a campanha, e 2000, quando era duplista no time que tinha ainda Gustavo Kuerten, Fernando Meligeni e André Sá. Ao todo, ele soma 25 confrontos disputados, mais do que Guga e Meligeni, inclusive.

Jaime Oncins na vitória sobre a Alemanha na Copa Davis, no Rio de Janeiro, em 1992
Oncins (sem camisa) comemorando entre Luiz Mattar e Paulo Cleto a vitória sobre a Alemanha em 1992

Ele foi pupilo de Paulo Cleto, o capitão que mais tempo ficou no comando, por 16 anos. Ao mesmo tempo em que a experiência de seu ex-técnico poderia pesar a favor, Cleto foi usado como motivação por quem era contra a entrada de Oncins como capitão após o anúncio por Nastás em fevereiro de 2004.

Dácio Campos, então comentarista do Sportv e influência na CBT até o fim da gestão Jorge Lacerda – com quem foi recém-condenado em conjunto por fraude na Lei de Incentivo ao Esporte -, bateu forte contra a entrada de Jaime na Copa Davis citando na época que Cleto (desafeto de Dácio) voltaria a mandar no time. Tempos depois, Dácio tentou virar sócio do Clube Paineiras, reduto dos Oncins, e recebeu uma negativa justamente no voto daquele que foi impedido de ser capitão da Copa Davis.

Outra voz forte dentro da CBT, o empresário Christian Burgos (dono da Revista Tênis), que hoje integra um Conselho Consultivo na entidade, chegou a citar o episódio em reunião como um motivo para evitar uma aproximação com Jaime Oncins, quando este ainda trabalhava no Brasil.

Jaime foi um dos jogadores que se reaproximaram da CBT após a saída de Jorge Lacerda da presidência e a entrada de seu sucessor (e aliado) Rafael Westrupp. Ele palestrou durante um Campeonato Brasileiro Infanto-Juvenil e recebeu até placa de homenagem das mãos do cartola.

Jaime Oncins homenageado pela CBT durante Campeonato Brasileiro
Jaime Oncins homenageado pela CBT após palestra no Campeonato Brasileiro 2017. Crédito: Thiago Parmalat/CBT

“A Copa Davis sempre foi muito relevante para o tênis brasileiro, e a entrada do Jaime como capitão traz o sentido de desenvolver ainda mais o espírito desta competição entre os nossos atletas. O Jaime tem uma história linda dentro do nosso tênis, e uma identidade muito forte com a Copa Davis. Ouvi e dialoguei com os jogadores, e dentre algumas alternativas de nomes para assumir o cargo, o Jaime é um consenso”

afirmou Rafael Westrupp, presidente da CBT.

A saída de João Zwetsch foi marcada pela polêmica sobre as condições do confronto com a Bélgica, em quadra de saibro coberta em Uberlândia, que teve declarações contraditórias em entrevistas coletivas no fim de semana da derrota brasileira para um time alternativo belga, depois de ter sido divulgada como consenso do time.

Bruno Soares e Marcelo Melo na Copa Davis de 2018 em Uberlândia
Bruno Soares e Marcelo Melo acabaram prejudicados pelas condições em Uberlândia. Crédito: Luiz Cândido/CBT

Como técnico, Jaime Oncins trabalhou com André Sá e Flávio Saretta (ainda na época do boicote) e também com o português Gastão Elias, que entrou no top 100 justamente no período em que era treinado pelo brasileiro.

A entrada no comando da equipe brasileira da Copa Davis surge justamente no momento em que Jaime vive nos Estados Unidos e trabalha para a Montverde Academy, que leva jovens (inclusive brasileiros) para estudar e jogar visando o tênis universitário norte-americano.

Ele também chega ao cargo com a Copa Davis totalmente reformulada em uma proposta patrocinada pelo jogador de futebol espanhol Gerard Piqué, do Barcelona, que teve o voto favorável da CBT e foi bastante criticada por nomes como Fernando Meligeni, Flávio Saretta e o próprio Jaime Oncins, como você pode conferir abaixo:


Curiosamente, assim como na outra vez em que poderia ter sido o capitão, Jaime Oncins comandará um time que perdeu a oportunidade de estar no Grupo Mundial. Seu primeiro confronto será no Zonal Americano I contra Barbados, nos dias 13 e 14 de setembro, em local a ser divulgado pela CBT.

Filho de herói argentino na Copa-86 tenta repetir sucesso no tênis

Roman Burruchaga, de 16 anos, é filho do ex-jogador de futebol argentino Jorge Burruchaga, autor do gol que deu o título mundial de futebol ao país na Copa do Mundo de 1986. Tenista, o garoto tenta repetir o sucesso do pai, mas em outro esporte

O relógio marcava 39 do segundo tempo, a Argentina de Maradona havia cedido o empate depois de abrir 2 a 0 sobre a Alemanha no estádio Azteca, até que El Pibe encontra espaço e lança na ponta direita para Jorge Burruchaga, que arranca e chuta para o gol do bicampeonato mundial.

Jorge Burruchaga chuta na saída do goleiro Harald Schumacher para marcar o gol do título da Argentina na final da Copa do Mundo de 1986, no estádio Azteca, no México
Burruchaga toca na saída de Schumacher para garantir o título mundial da ArgentinaCrédito: FIFA

O futebol argentino não ganhou nenhuma Copa depois de 1986 e hoje o nome Burruchaga, ainda presente no futebol argentino com a gerência técnica da seleção argentina de futebol na AFA (Associação Argentina de Futebol), também começa a ser comum no tênis.

Roman deixou a base do River Plate para se dedicar exclusivamente ao tênisCrédito: AAT

Aos 16 anos, Roman Andrés Burruchaga, filho do campeão mundial de futebol, é um dos novos nomes do tênis argentino e disputa nesta semana a versão juvenil da Copa Davis em Budapeste, na Hungria. Ele é o atual 253º do ranking mundial até 18 anos, melhor do país entre nascidos desde 2002.

Esta é a segunda vez que o garoto representa a Argentina em um Mundial. A primeira foi há 2 anos, em Prostejov, na República Tcheca, quando ajudou seu país a conquistar o título sub-14 por equipes – competição já vencida por nomes como Rafael Nadal, Jo-Wilfried Tsonga e David Nalbandian.

O tênis surgiu na vida de Roman em uma mesa e foi justamente por causa do pai, que comprou o material de tênis de mesa para a família. O garoto foi tomando gosto, Jorge então percebeu que ele levava jeito e o presenteou com uma raquete de tênis para levá-lo à quadra o esporte que consagrou Guillermo Vilas e Juan Martín Del Potro, entre tantos outros argentinos.

No início, ele se dividia entre o tênis e o futebol nas categorias de base do River Plate. Para evitar problemas de conciliação com a escola, precisou optar por uma modalidade e preteriu a de seu pai.

“Eu quero ser profissional, esse é o meu sonho. Já fui campeão mundial igual ao meu velho, mas não tem comparação. O meu foi um título junior e o dele foi profissional”, afirma Roman ao site argentino Pagina 12, para o qual também revelou que se emociona quando assiste no Youtube ao gol marcado por seu pai na final da Copa do Mundo de 1986.

Roman se emociona quando assiste pelo Youtube o gol marcado por seu pai em 1986Crédito: Srdjan Stevanovic/ITF

O garoto disputou em 2018 seu primeiro torneio profissional, um torneio future na cidade de Córdoba, onde perdeu na primeira rodada de duplas e parou no qualifying em simples. Neste ano foi um dos sparrings da equipe principal da Argentina que derrotou a Colômbia na Copa Davis, auxiliando tenistas como Diego Schwartzman na preparação para os jogos.

“Muitos me falam do sobrenome. No entanto, eu jogo tênis, não tem nada a ver com o mundo esportivo dele. Não acredito que influencie. Para meu irmão é mais difícil porque ele joga futebol”

Roman Burruchaga, ao jornal argentino Los Andes, citando o irmão Mauro, que atua no Chievo Verona pelo futebol italiano.

Uma curiosidade em relação ao futebol se dá ainda pelo que teria motivado a escolha do nome do jovem tenista, cujo pai se tornou ídolo no Independiente, clube pelo qual venceu a Copa Libertadores em 1984. “Muitos me dizem que é por causa do Riquelme (ídolo do Boca Juniors). Nunca perguntei ao meu pai, mas eu torço para o River”.

Argentina de Roman Burruchaga disputa a Copa Davis Junior em Budapeste, na HungriaCrédito: Srdjan Stevanovic/ITF

Brasil vai receber a Bélgica no qualificatório da Copa Davis 2019

O sorteio realizado nesta quarta-feira pela Federação Internacional de Tênis (ITF), em Londres, deu ao Brasil a oportunidade de voltar a sediar um confronto de Copa Davis, recebendo a Bélgica nos dias 1 e 2 de fevereiro, no classificatório para as Finais da centenária competição que estreia seu novo formato patrocinado pelo Kosmos, do zagueiro espanhol Gerard Piqué.

A equipe brasileira não jogava em casa na Davis desde 2016, quando recebeu o Equador, no Minas Tênis Clube, em Belo Horizonte, pelo Zonal Americano. Antes, havia sediado um confronto de Playoffs do Grupo Mundial contra a Croácia, no Costão do Santinho, em Florianópolis.

Brasil enfrentou o Equador no Minas Tênis Clube, em Belo Horizonte, pelo Zonal Americano da Copa Davis em 2016. Crédito: Cristiano Andujar
Brasil recebeu seu último confronto de Davis em casa em julho de 2016, em Belo Horizonte. Crédito: Cristiano Andujar

Derrotados pelos Estados Unidos nas quartas de final em 2018, os belgas vêm de boas campanhas na competição, com o vice-campeonato em 2015 e 2017, perdendo o título para Grâ-Bretanha e França, respectivamente.

O principal tenista belga atualmente é David Goffin, número 11 do ranking mundial. O próximo melhor ranqueado é Ruben Bemelmans, número 114. Joris De Loore, 387º de simples, atuou no lugar de Goffin no confronto mais recente, pelas quartas de final contra os Estados Unidos. Outro tenista importante para o time belga é o experiente Steve Darcis, que perdeu toda a temporada 2018 devido a uma lesão no cotovelo.

Capitão do time brasileiro, João Zwetsch terá até o início do próximo ano para montar uma equipe, que em 2018 ficou desfalcada de Bruno Soares, Rogerio Dutra Silva e Thomaz Bellucci. Um dos líderes de Zwetsch, o mineiro Marcelo Melo deve ser novamente um dos principais nomes.

Confronto em 2016 foi vencido por 4 a 0 pela Bélgica na quadra dura, em Ostend
Crédito: Cristiano Andujar
Confronto em 2016 foi vencido por 4 a 0 pela Bélgica na quadra dura, em Ostend           Crédito: Cristiano Andujar

Na história da Copa Davis, Brasil e Bélgica se enfrentaram três vezes, todas em território belga – os brasileiros deveriam ter jogado em casa em 1993, mas sofreu uma punição da ITF por irregularidades em confronto de 1992 e perdeu o direito de escolha do local.

Em 1960, na capital Bruxelas, Carlos Alberto Fernandes e Ronald Barnes formaram o time brasileiro derrotado por 3 a 2. Em 1993, na estreia de Fernando Meligeni, o Brasil que ainda tinha Luiz Mattar, Cássio Motta e Jaime Oncins, nova vitória belga por 3 a 1. Em 2016, desta vez em Ostend, a Bélgica venceu por 4 a 0 o Brasil de Melo, Soares, Bellucci e Monteiro.

João Zwetsch em entrevista coletiva na Copa Davis entre Bélgica e Brasil, em Ostend, em 2016

Crédito: Cristiano Andujar
No décimo ano à frente do Brasil, Zwetsch deve contar com retorno de ausentes em 2019       Crédito: Cristiano Andujar

Qual será o local do confronto?

Definido o confronto, fica agora para a Confederação Brasileira de Tênis a decisão do local, com as condições de altitude, piso e tipo de bola, de acordo com o que for mais favorável ao time brasileiro e desfavorável ao belga. Pelo regulamento vigente em 2018, a CBT tem até o dia 11 de novembro para enviar preenchido o formulário com a sede (se haverá mudanças neste quesito para 2019, a ITF ainda não divulgou em nenhum de seus canais)

Em seu último confronto em casa, o Brasil escolheu o piso duro e quadra coberta para receber os equatorianos em Belo Horizonte – em confronto que teve certos sustos, como a derrota de Rogerinho no primeiro dia.

Antes, a equipe de Zwetsch jogou no saibro no nível do mar e na umidade do Costão do Santinho, em Florianópolis, na derrota para a Croácia, em 2015. No ano anterior, a vitória diante da Espanha havia sido no saibro coberto do Ginásio do Ibirapuera, em São Paulo. 

Esta Copa Davis será a primeira em território brasileiro na gestão de Rafael Westrupp como presidente da CBT. Nas três edições anteriores (citadas acima), ele ajudou a decidir ativamente os locais como superintendente administrativo da gestão de Jorge Lacerda.

Em declaração divulgada pela assessoria de imprensa da entidade, o dirigente deixa claro que espera contar com algum apoio financeiro de prefeitura e/ou governo para definir a sede, o que ocorreu nos confrontos anteriores sediados em São Paulo, Florianópolis e Belo Horizonte.

Rafael Westrupp (de boné) no confronto entre Colômbia e Brasil em Barranquilla. Crédito: Matheus Joffre

“Já temos algumas cidades que se candidataram para sediar. Agora teremos a avaliação do capitão para atender às condições técnicas para o nosso time. A CBT precisará manter um nível de organização de alto padrão e isso tem um custo financeiro. Então, temos que encontrar o equilíbrio de fechar a conta, buscar um apoio local nessas cidades, e atender a parte técnica que o capitão solicitar”

Rafael Westrupp, presidente da CBT

O Sorteio

Além da Bélgica, as outras opções para o Brasil no sorteio eram Alemanha (em casa), Austrália (fora), Áustria (em casa), Canadá (fora), Cazaquistão (sorteio), Itália (em casa), Japão (em casa), Tchéquia (em casa), Sérvia (sorteio), Suécia (fora) e Suíça (em casa).

Os outros dois países sul-americanos na disputa, Colômbia e Chile tiveram sortes distintas na definição da ITF nesta quarta-feira.

Depois de derrotarem o Brasil no Zonal e perderem para a Argentina nos já extintos Playoffs do Grupo Mundial, os colombianos terão a Suécia em casa no Qualificatório de 2019, um dos adversários mais fracos entre os cabeças de chave. Já os chilenos terão de viajar à Áustria para encarar Dominic Thiem (número 7 do mundo), equipe que vem de vitória sobre a Austrália.

O sorteio definiu os seguintes confrontos para 1 e 2 de fevereiro:

🇧🇷🆚🇧🇪 🇺🇿🆚🇷🇸 🇦🇺🆚🇧🇦
🇮🇳🆚🇮🇹 🇩🇪🆚🇭🇺 🇨🇭🆚🇷🇺 
🇰🇿🆚🏳️ 🇨🇿🆚🇳🇱 🇨🇴🆚🇸🇪 
🇦🇹🆚🇨🇱 🏳️🆚🇨🇦 🇨🇳🆚🇯🇵

Os adversários de Canadá e Cazaquistão ainda serão definidos após o ranking do dia 29 de outubro, após os confrontos do Zonal Euro/África, podendo ser Israel, Portugal, Ucrânia ou Eslováquia.

Com Andy Murray como principal tenista, Grã-Bretanha se beneficiou pelo título de 2015 e garantiu convite ao lado da Argentina (campeã em 2016) para jogar as finais na Davis 2019            Crédito: Paul Zimmer
Com Andy Murray como principal tenista, Grã-Bretanha se beneficiou pelo título de 2015 e garantiu convite ao lado da Argentina (campeã em 2016) para jogar as finais na Davis 2019            Crédito: Paul Zimmer

Antes do sorteio desta quarta-feira, a ITF anunciou os dois wild cards (convites) para Argentina e Grã-Bretanha, respectivos campeões de 2015 e 2016, que estarão diretamente nas Finais ao lado de França, Croácia, Espanha e Estados Unidos, classificados como semifinalistas de 2018.


Capa do diário esportivo espanhol “As” destaca escolha de Madri para sede em 2019 e 2020 

Entenda como ficará a Copa Davis em 2019

1-2/fevereiro – 12 confrontos do qualificatório no formato casa/fora (com cinco jogos em melhor de três sets) definem os classificados para as Finais;

🇫🇷 🇭🇷 🇪🇸 🇺🇸 🇦🇷 🇬🇧

18-24/novembro – Os seis países acima e os 12 vencedores da fase classificatória disputam as Finais da Copa Davis durante uma semana na Caja Mágica, em Madri, na Espanha, em uma estrutura com três quadras grandes, no seguinte formato:

O campeão de cada grupo e os dois melhores segundos lugares avançam:

QUARTAS DE FINAL

SEMIFINAIS

FINAL


  • Os quatro países que alcançarem as semifinais estarão garantidos diretamente na fase final de 2020;
  • Os dois piores da fase de grupos serão rebaixados diretamente ao Zonal e os 12;
  • Os demais 12 países jogarão a Fase Classificatória contra os vencedores dos Zonais (Euro/África, Ásia/Oceania e Américas)

Cruzeiro encara um Boca Juniors reforçado e embalado na Bombonera

Cristian Pavón na Bombonera pelo Boca Juniors

Crédito: Boca Juniors/Divulgação

Reforço do Boca Juniors, goleiro Andrada treina para enfrentar o Cruzeiro na Libertadores. Crédito: Divulgação
Vice-campeão da Libertadores pelo Lanús, Andrada reforça o gol do Boca Juniors                       Crédito: Divulgação 

O Boca Juniors que recebe nesta quarta-feira, às 21h45, o Cruzeiro na Bombonera pelas quartas de final da Copa Libertadores poderia ter se despedido da competição na rodada final do Grupo 8, quando goleou e teve uma ajuda do Palmeiras para se classificar. Sobreviventes, os xeneizes contrataram reforços e estão mais perigosos.

Aquele time que havia sido derrotado em casa por 2 a 0 pelo Palmeiras, então comandado por Roger Machado, foi reformulado após a Copa do Mundo, trouxe reforços como o atacante Mauro Zárate, do Watford, o lateral esquerdo Olaza, do Talleres, Izquierdoz, do Santos Laguna-MEX, e o goleiro Esteban Andrada, finalista da última Libertadores pelo Lanús, que substitui Rossi, aquele da falha bisonha no gol marcado por Lucas Lima.

Mauro Zárate comemora gol pelo Boca Juniors contra o Libertad pela Libertadores. Crédito: Divulgação
Zárate foi contratado do Watford e reforça o ataque do Boca. Crédito: Divulgação

Nos últimos cinco jogos que disputou em seu estádio, o hexacampeão da Libertadores não sofreu nenhum gol na atual temporada, iniciada após a Copa do Mundo. Pelo Campeonato Argentino, venceu o Talleres por 1 a 0 e o Vélez Sarsfield por 3 a 0. Na Libertadores, fez 2 a 0 sobre o Libertad, antes de garantir a classificação às quartas de final com 4 a 2 no Paraguai.

Thiago Neves em treino do Cruzeiro no estádio Nuevo Gasometro antes de enfrentar o Boca Juniors
Crédito: Bruno Haddad/Cruzeiro
Thiago Neves é uma das armas na criação do Cruzeiro. Crédito: Bruno Haddad/Cruzeiro

O Cruzeiro de Mano Menezes é um dos times que melhor jogam fora de casa na atual temporada, tendo vencido em jogos recentes Santos e Palmeiras pela Copa do Brasil e o Flamengo pela Libertadores atuando no estádio do adversário. Time organizado na marcação e com um contra-ataque fulminante, o time mineiro tenta encerrar uma série de quatro vitórias seguidas do Boca Juniors.

Mano Menezes terá o desfalque do uruguaio De Arrascaeta, que nem embarcou para Buenos Aires devido a um desconforto muscular. O time que deve ir a campo terá o goleiro Fábio, a defesa com Edílson, Dedé, Léo e Egídio, o meio de campo formado por Lucas Silva, Henrique, Robinho, Thiago Neves e Rafinha, com Barcos no ataque. No banco de reservas, as principais opções são Rafael Sóbis, Raniel, Ariel Cabral e Lucas Romero.

Mano Menezes comandou treino do Cruzeiro no estádio Nuevo Gasometro antes de enfrentar o Boca Juniors
Crédito: Bruno Haddad/Cruzeiro
Mano não terá De Arrascaeta, que nem viajou a Buenos Aires. Crédito: Bruno Haddad/Cruzeiro

O técnico argentino Guillermo Schelotto deve mandar a campo um time formado pelo goleiro Andrada, a defesa formada por Jara, Izquierdoz, Magallán e Olaza. O meio com Wilmar Barrios, Nández e Pablo Pérez. Na linha ofensiva, Mauro Zárate e Pavón, com Benedetto de centroavante. O banco de reservas do time argentino conta com Carlitos Tevez, Edwin Cardona e Fernando Gago como opções.

O ex-cruzeirense Ramón Ábila, que atuou em cinco jogos como titular, além de ficar no banco de reservas em outras duas partidas, está fora. Depois de reclamação do Libertad, do Paraguai, contra quem o atacante atuou na primeira partida das oitavas de final, a Conmebol admitiu a suspensão dele contra o Cruzeiro, embora não tenha dado os pontos ao Libertad, como a punição que ocorreu com o Santos, alegando a demora na reclamação do time paraguaio, o mesmo que já havia se passado com o River Plate.

Retrospecto na Libertadores

1977 – Boca Juniors 1 x 0 Cruzeiro – La Bombonera
1977 – Cruzeiro 1 x 0 Boca Juniors – Mineirão
1977 – Boca Juniors 0 (5) x (4) 0 Cruzeiro – Centenário (Montevidéu)*
1994 – Boca Juniors 1 x 2 Cruzeiro – La Bombonera
1994 – Cruzeiro 2 x 1 Boca Juniors – Mineirão
2008 – Boca Juniors 2 x 1 Cruzeiro – La Bombonera
2008 – Cruzeiro 1 x 2 Boca Juniors – Mineirão
*título conquistado pelo Boca nos pênaltis em campo neutro

Brasil sai no lucro e pode jogar em casa na nova Davis

Thiago Monteiro e o capitão João Zwetsch no confronto entre Brasil e Colômbia pela Copa Davis 2018, em Barranquilla, na Colômbia. Crédito: Matheus Joffre/CBT

Thiago Monteiro e João Zwetsch na Copa Davis em Barranquilla, na Colômbia. 
Crédito: Matheus Joffre/CBT
Crédito: Matheus Joffre/CBT

Ausência de seus principais jogadores, vitória sofrida contra a República Dominicana e derrota inédita para a Colômbia. O ano de 2018 tinha ingredientes para ser trágico para a equipe brasileira da Copa Davis, mas a aprovação da mudança no formato da competição centenária deixou o tênis do Brasil no lucro e com grandes chances de sediar um confronto grande.

Graças à vitória canadense sobre a Holanda, que garantiu o país da América do Norte entre os cabeças de chave do Qualificatório de 2019, o Brasil pegou a terceira vaga por ranking das Américas, atrás de Colômbia e Chile, com os pontos descontados da vitória sobre a Espanha nos Playoffs de 2014.

O Brasil que, assim como todos os demais países sul-americanos, votou pela mudança no formato da competição e a adoção da proposta apresentada pelo zagueiro espanhol Gerard Piqué, deixa de jogar o Zonal Americano mesmo depois de ter ficado fora dos Playoffs do Grupo Mundial, o que não acontecia desde o boicote de 2004, que ajudou a derrubar Nelson Nastas do comando da Confederação Brasileira de Tênis.

A definição do adversário brasileiro acontece na quarta-feira, dia 26 de setembro, às 11h (de Brasília), em sorteio que será realizado na sede da Federação Internacional de Tênis (ITF), em Londres, na Inglaterra.

O Brasil pode ter os seguintes confrontos:

Em casa: 🇩🇪∙🇦🇷∙🇦🇹∙🇧🇪∙🇮🇹∙🇯🇵∙🇨🇿
Fora: 🇨🇦∙🇸🇪
Sorteio: 🇰🇿∙🇬🇧∙🇷🇸

Retrospecto dos confrontos

João Souza (Feijão) e Leonardo Mayer antes do jogo que ficaria marcado como o mais longo da Copa Davis, em Buenos Aires, 2015. Crédito: Cristiano Andujar/CBT
Reencontro entre Brasil e Argentina é uma das possibilidades. Crédito: Cristiano Andujar/CBT

🇩🇪∙6 confrontos disputados, com duas vitórias brasileiras e quatro alemãs. O confronto mais marcante para os brasileiros foi em 1992, quando Jaime Oncins brilhou na vitória diante da Alemanha de Boris Becker, no Rio de Janeiro. O encontro mais recente foi na edição 2013, em Neu-Ulm, com vitória dos donos da casa.

🇦🇷∙ 8 confrontos disputados, com duas vitórias brasileiras e seis argentinas. O primeiro encontro teve vitória de Thomaz Koch diante de Guillermo Vilas, em 1972, no Rio de Janeiro, com o Brasil levando a melhor. O confronto mais recente foi em 2015, no Tecnópolis, em Buenos Aires, com Leonardo Mayer vencendo Feijão na marcante maratona de 6h43.

🇦🇹∙2 confrontos disputados, com uma vitória para cada país.  Ambos os encontros foram marcantes por motivos diferentes. No primeiro, em 1996, na cidade de São Paulo, a irritação de Thomas Muster que abandonou a quadra na partida de duplas contra Gustavo Kuerten e Jaime Oncins, que definiu a vitória brasileira. 11 anos depois, em Innsbruck, a despedida de Guga e a estreia de Thomaz Bellucci.

🇧🇪∙ 3 confrontos e todos vencidos pela Bélgica. Todos os confrontos foram disputados em solo belga, em 1960, 1993 (com o Brasil tendo perdido mando como punição referente a 1992) e 2016, quando o time brasileiro sofreu sua pior derrota em anos, caindo ainda no sábado, em Ostend.

🇮🇹∙ 4 confrontos, com duas vitórias para cada país. Em 1992, em Maceió, o time capitaneado por Paulo Cleto garantiu a vitória de virada para ir à semifinal da Davis. O último encontro foi em 1993, em Modena, com o Brasil sendo derrotado já nas duplas no sábado.

🇯🇵∙ O único confronto aconteceu no ano passado, em Osaka, quando o Japão jogou desfalcado de Kei Nishikori e o Brasil de Thomaz Bellucci, em confronto encerrado apenas na segunda-feira por causa de um tufão, que ainda teve episódios de vídeo com ofensa a Nishikori e gestual ofensivo que rendeu punição ao tenista gaúcho Guilherme Clezar.

🇨🇿∙ 4 confrontos, com três vitórias dos tchecos e uma brasileira. O único triunfo do Brasil foi em 1971, em Porto Alegre, com Mandarino e Koch fechando a disputa nas duplas contra o time que tinha Jan Kodes. O duelo mais recente foi em 2002, em Ostrava, com os brasileiros desfalcados de Guga na derrota definida já no segundo dia, nas duplas.

🇨🇦∙ 6 confrontos, com quatro vitórias do Brasil e duas para os canadenses. Um dos encontros mais marcantes ocorreu em 2002, nos Playoffs para o Grupo Mundial, quando Guga, Fernando Meligeni e André Sá bateram o time de Daniel Nestor e Frank Dancevic no segundo dia no Rio de Janeiro. O confronto mais recente também foi vencido pelos brasileiros, com Ricardo Mello e Flávio Saretta, em 2007, no Costão do Santinho, em Florianópolis.

🇸🇪∙ 2 confrontos, ambos vencidos pela Suécia. O primeiro encontro foi em 2003 e marcou a última participação brasileira no Grupo Mundial antes de um hiato de 10 anos. Em Helsingborg, o Brasil de Guga, Sá e Saretta foi superado no quinto jogo por Jonas Bjorkman e Andreas Vinciguerra. No último encontro, a polêmica despedida de Meligeni do cargo de capitão, em 2007, em Belo Horizonte, que teve até fogo na quadra de saibro.

🇰🇿∙ O Brasil nunca enfrentou o Cazaquistão na Copa Davis.

🇬🇧∙ 4 confrontos, todos sediados e vencidos pela Grã-Bretanha. O encontro mais recente aconteceu na edição de 1969, na grama da Quadra 1 de Wimbledon, com Koch e Mandarino derrotados na quinta partida do confronto pela equipe que tinha Graham Stilwell e Mark Cox.

🇷🇸∙ O único confronto ocorreu em 1967, com o Brasil vencendo a antiga Iugoslávia, em Zagreb (atual território croata). Koch e Mandarino garantiram a vitória brasileira pelo Zonal Europeu. Obs: O Brasil não tem garantido o direito de sediar o confronto caso enfrente a Sérvia, pois a alternância de sedes da Copa Davis ocorre a partir de 1970.

Que Brasil?

Thomaz Bellucci na Copa Davis entre Brasil e Espanha em São Paulo, 2014. Crédito: Cristiano Andujar/CBT
Thomaz Bellucci não jogou a Copa Davis em 2018. Crédito: Cristiano Andujar/CBT

Independentemente dos possíveis adversários, resta saber qual será o Brasil que jogara o Qualificatório da Copa Davis 2019. Nos últimos confrontos, Thomaz Bellucci, Rogerio Dutra Silva e Bruno Soares ficaram fora do time comandado por João Zwetsch, que promoveu as estreias de Marcelo Demoliner e João Pedro Sorgi, além de resgatar Guilherme Clezar.

Presentes mesmo em equipes desfalcadas, Thiago Monteiro e Marcelo Melo provavelmente estarão dentro do time mais uma vez. A dúvida fica nas outras três vagas. Bellucci, Rogerinho e Soares voltam?

João Menezes, Karue Sell, Orlando Luz e Thiago Wild, campeão juvenil no US Open seriam opções para confrontos grandes em busca de evitar a volta ao Zonal Americano? A decisão ficará para a CBT e João Zwetsch, que ao que consta, iniciará seu décimo ano no comando do time brasileiro.

O Brasil ainda não sediou um confronto de Copa Davis na gestão de Rafael Westrupp como presidente da Confederação Brasileira de Tênis. A última vez que o país jogou em casa foi em 2016 contra o Equador, em Belo Horizonte, pelo Zonal Americano. Pelos Playoffs, o último confronto como mandante foi contra a Croácia, em 2015, em Florianópolis. Já pelo Grupo Mundial, o Brasil foi sede pela última vez em 2001, contra a Austrália, em Florianópolis, na inauguração do local que hoje sedia a CBT.


Copa Davis repete final da Fifa na despedida da fórmula

Como na final da Copa do Mundo de futebol, a Copa Davis terá uma decisão entre França e Croácia em novembro

 

O último fim de semana definiu a classificação de França e Croácia para a final da Copa Davis de tênis, assim como ocorreu na Copa do Mundo de futebol em julho deste ano. Na despedida do atual formato da competição centenária, franceses e croatas jogam entre 23 e 25 de novembro pelo título.

Nas semifinais, os franceses derrotaram a Espanha que ficou desfalcada de Rafael Nadal na semana prévia ao confronto (o espanhol também precisou abandonar a semifinal do US Open contra Juan Martin Del Potro).

E teve estreia pelo lado francês, com Benoit Paire, de 29 anos, vencendo e se emocionando na abertura do confronto em Lille ao fazer 7/5, 6/1 e 6/0 sobre Pablo Carreño Busta. Crítico da troca de formato da competição, Lucas Pouille deu o segundo ponto aos franceses no que a Copa Davis tem (e deixará de ter) de melhor, um jogo de 5 sets [3/6, 7/6(5), 6/4, 2/6 e 6/4] contra Roberto Bautista Agut. A dupla de Julien Benneteau e Nicolas Mahut fechou a fatura contra Marcel Granollers e Feliciano López, com 6/0, 6/4 e 7/6(7)

Coric impede virada americana

No saibro de Zadar, na Croácia, o confronto não poderia ser mais típico do já quase saudoso formato da Copa Davis. Sem John Isner e Jack Sock, o time dos Estados Unidos conseguiu igualar um confronto que perdiam por 2 a 0 e estiveram a um set da virada com o jovem Frances Tiafoe. Mas Borna Coric salvou a pele do número 6 do mundo Marin Cilic (derrotado por Sam Querrey) e venceu no quinto set do quinto jogo ao fechar em 6-7(0), 6/1, 6/7(11), 6/1 e 6/3, em 4h06 de partida.

Borna Coric: “É o dia mais especial da minha vida, de longe, com essa torcida”

 


Playoffs definem classificados da nova Davis

Enquanto se definiam os finalistas do Grupo Mundial da Copa Davis, oito confrontos foram disputados valendo a condição de cabeça de chave nos confrontos do Qualificatório de 2019, marcados para o início de fevereiro.

  • 🇦🇷 4-0  🇨🇴▶︎ A Argentina com Diego Schwartzman, número 14 do mundo, bateu a Colômbia facilmente já no terceiro jogo, em San Juán;
  • 🇬🇧 3-1  🇺🇿▶︎ A Grã-Bretanha com Jamie Murray (top 10 nas duplas), mas sem seu irmão Andy, bateu o Uzbequistão em Glasgow;
  • 🇦🇹 3-1  🇦🇺▶︎ Liderada por Dominic Thiem, número 8 do mundo, a Áustria derrotou a Austrália, que teve seu único ponto com o capitão Lleyton Hewitt jogando nas duplas, em Graz, no saibro austríaco;
  • 🇨🇭 2-3 🇸🇪▶︎ Em um confronto daqueles que certamente motivaram a troca de formato da Davis, a Suíça sem Roger Federer e Stan Wawrinka (que não jogam a competição já á algum tempo), perdeu para a fraca equipe da Suécia em Biel;
  • 🇷🇸 4-0  🇮🇳▶︎ Sem o campeão do US Open, Djokovic, a Sérvia passou facilmente pela Índia com Dusan Lajovic e Laslo Djere em simples;
  • 🇨🇦 3-1 🇳🇱▶︎ Recuperado fisicamente, o atual número 20 do mundo, Milos Raonic, garantiu seus dois pontos em simples para o Canadá, que teve a despedida de Daniel Nestor nas duplas, contra a Holanda; 
  • 🇭🇺3-2 🇨🇿▶︎ Ah os confrontos decididos no quinto jogo. À beira da extinção, o quinto jogo definiu a vitória de virada da Tchéquia (novo nome da República Tcheca) sobre a Hungria, em Budapeste, em confronto com apenas um top 100 em quadra (Jiri Vesely);
  • 🇯🇵 4-0 🇧🇦▶︎ Não precisou de Kei Nishikori. O Japão de Taro Daniel e Yoshihito Nishioka passou tranquilamente pela Bósnia em Osaka.


Família Wild se mudou para o Rio pelo tênis de Thiago, campeão no US Open

Crédito: Garrett Ellwood/USTA

Pela primeira vez na história o tênis brasileiro tem um campeão na chave de simples do torneio juvenil do US Open, o último Grand Slam da temporada. O paranaense Thiago Wild conquistou neste domingo o título em sua despedida do circuito juvenil ao vencer o italiano Lorenzo Musetti por 2 sets a 1, com parciais de 6/1, 2/6 e 6/2, em 1h18min.

Crédito: Garrett Ellwood/USTA

Este é o segundo título de simples vencido por brasileiros em torneios juvenis de Grand Slam, encerrando um hiato de oito anos desde a conquista do alagoano Tiago Fernandes. Em duplas juvenis, Gustavo Kuerten venceu Roland Garros em 1994, Orlando Luz e Marcelo Zormann conquistaram Wimbledon em 2014 e Felipe Meligeni Alves foi campeão do US Open em 2016.

Aos 18 anos, Wild já está em transição para o profissional e ocupa o 464º lugar no ranking de simples da ATP. Em sua faixa etária, há apenas seis tenistas em sua frente no ranking profissional.

Thiago com o pai ainda no Paraná

Nascido e criado em Marechal Cândido Rondon, no Paraná, Thiago é filho do professor de tênis Claudio Wild e sua capacidade no esporte levou o pai a deixar sua academia no interior paranaense e se mudar para o Rio de Janeiro levando sua esposa Gisela e a filha Luana, que também é tenista.

Claudio passou a trabalhar na Tennis Route, mesmo local onde o filho treina sob o comando do experiente gaúcho João Zwetsch, capitão do Brasil na Copa Davis desde 2010 (que também treinou Thomaz Bellucci, Flávio Saretta e Guilherme Clezar, entre outros), e acompanhado pelo técnico mineiro Arthur Rabelo.

Thiago Wild na categoria 14 anos, pouco antes da ida ao Rio. Foto: Rubens Lisboa

Criança agitada e que dava trabalho ao pai na academia, Thiago foi levado para dentro da quadra para gastar a energia aprendendo tênis, conseguiu se desenvolver bem no esporte e se tornou o mais promissor tenista brasileiro dos últimos anos. Mesmo antes de vencer a chave juvenil do US Open, o paranaense já mostrava um jogo potente e vem tendo seu talento lapidado na Tennis Route há cerca de quatro anos.

Em 2017, foi vice-campeão do tradicional torneio internacional Banana Bowl, em Criciúma, venceu em seguida o Sul-Americano Individual em Mar del Plata, na Argentina e o Città di Santa Croce, na Itália, além de ser finalista pela primeira vez em um torneio profissional no Future de Antália, na Turquia. Neste ano, já havia sido semifinalista da chave juvenil em Roland Garros em simples e duplas, além de alcançar três finais profissionais em simples, com os títulos em Antália, na Turquia, e São José do Rio Preto, e o vice em Curitiba.

Tiago Fernandes em 2010. Crédito: Australian Open

Thiago Wild tem um jogo agressivo, inteligente, tem personalidade e é vencedor. Briga o jogo todo, busca vitórias em jogos improváveis e às vezes também se perde um pouco na própria cabeça.

Títulos de Grand Slam não são garantia de sucesso como profissional. O Brasil mesmo já teve o caso de Tiago Fernandes, que abandonou as quadras aos 21 anos, mas o tênis brasileiro tem um tenista para ser trabalhado com o devido cuidado para que não seja mais um caso de bom juvenil que fica pelo caminho.

Tentar transformar campeões juvenis em ídolos é um erro que tem sido recorrente no tênis brasileiro e exemplos não faltam.

 

Abaixo os brasileiros de destaque em torneios de Grand Slam juvenil

Campeões de simples:
Tiago Fernandes – Australian Open 2010
Thiago Wild – US Open 2018

Campeões de duplas:
Gustavo Kuerten – Roland Garros 1994
Orlando Luz e Marcelo Zormann – Wimbledon 2014
Felipe Meligeni Alves – US Open 2016

Vice-campeões de simples:
Ivo Ribeiro – Wimbledon 1957
Edison Mandarino – Roland Garros 1959
Ronald Barnes – Wimbledon 1959
Thomaz Koch – Roland Garros 1962 e 1963
Luis Felipe Tavares – Roland Garros 1967

Vice-campeões de duplas:
Ricardo Schlachter – Wimbledon 1994
Guilherme Clezar – Roland Garros 2009
Beatriz Haddad Maia – Roland Garros 2012 e 2013
Rafael Matos e João Menezes – US Open 2014
Orlando Luz – Roland Garros 2016

Tênis aprova proposta de Piqué e muda a Copa Davis após 118 anos

ITF aprovou reforma apresentada pelo jogador de futebol Gerard Piqué e a Copa Davis terá sua maior mudança

Copa Davis a céu aberto, no saibro, com torcida da casa e jogos em melhor de 5 sets acaba em 2018
Crédito: Cristiano Andujar

A Assembleia Geral da Federação Internacional de Tênis (ITF) aprovou nesta quinta-feira, em Orlando, nos Estados Unidos, uma reforma histórica na Copa Davis, um dos eventos mais tradicionais do esporte mundial, que muda completamente o seu formato após 118 anos com uma proposta prometendo $ 3 bilhões em 25 anos para investimentos na base do esporte.

Campeão em 2017, Pouille prometeu boicote. Crédito: Corinne Dubreil

Com o nome “Copa do Mundo do Tênis” adotado nos últimos anos pela entidade internacional, a competição agora terá um formato de Mundial. Em um modelo apresentado por Gerard Piqué, zagueiro do Barcelona e marido da cantora pop Shakira, e contestado por ex-tenistas como Lleyton Hewitt e jogadores em atividade como o francês Lucas Pouille (que prometeu boicotar a competição), o americano David Haggerty consegue sua maior vitória à frente da ITF depois e viajar pelo mundo em campanha prometendo ajuda aos países votantes.

Ao todo foram 71,4% os votos de aprovação, incluíndo países como Azerbaijão, Botsuana, Gana, Santa Lucia e Togo, entre outros que nem participaram da Copa Davis nos últimos anos. Outro caso controverso foi a participação do francês Bernard Giudicelli no processo enquanto o mesmo responde criminalmente por difamação.

Presente do Grupo Mundial apenas duas vezes nos últimos 15 anos, o Brasil votou favorável à reforma em bloco com os demais países sul-americanos.

O novo formato será o seguinte:

Os 4 semifinalistas de 2018 (🇫🇷 🇪🇸 🇭🇷 🇺🇸) já estão garantidos no Grupo Mundial que acontece entre 18 e 24 de novembro de 2019 em sede a ser definida entre Lille (França) e Madri (Espanha).

Os próximos 24 melhores colocados no ranking da Copa Davis jogarão uma repescagem em fevereiro na qual os 12 vencedores se juntam aos já classificados. Além disso, haverá 2 wild cards (convites) para formar os 18 que competem pelo título.

Os 18 países serão divididos em 6 grupos com 3 equipes cada. Os confrontos da fase de grupos acontecem entre segunda e quinta-feira, com quatro confrontos por dia (2 jogos de simples e 1 de duplas, todos em melhor de três sets).

O vencedor de cada grupo e os dois melhores segundos colocados (definidos por + confrontos, + sets e + games vencidos – nesta ordem) avançam para as quartas de final, seguidas da semifinal e a final. Tudo no mesmo local, com apenas três jogos e em melhor de três sets.

Na sexta-feira acontecem os quatro confrontos de quartas de final, com as semifinais no sábado e a final no domingo.

Os dois piores times serão rebaixados para o Zonal I de 2020, enquanto os outros 12 times jogarão o Playoff com os vencedores dos zonais (6 Europa/África, 3 Ásia/Oceania e 3 Américas) de 2019 em fevereiro de 2020.

A nova Copa Davis não se difere muito dos Mundiais juvenis de 14 e 16 anos que são realizados pela mesma ITF, exceto pelos dois convites políticos que deixam a competição com 18 times em vez dos 16 das categorias de base.

E quem perder aquele confronto de fevereiro? Esses vão para os zonais, que seguirão sendo disputados no mesmo formato de hoje, ao longo do ano, com os vencedores se classificando para este grande Playoff de fevereiro.

O que não foi explicado

Suíça com Federer e Wawrinka foi campeã em 2014. Crédito: Paul Zimmer

Entre os países que votaram contra uma das principais críticas foi a falta de respostas para algumas questões, além do período de disputa da nova Copa Davis, que será logo após o ATP Finals, competição que já costuma perder jogadores em um extenuante final de temporada.

A grande justificativa da ITF para mudar a competição é a ausência dos principais tenistas, o que nada garante que mudará com o novo formato, exceto pelo forte aporte financeiro trazido pelo grupo Kosmos.

O período também inviabiliza que se jogue em pisos diversos e em quadras descobertas, uma vez que Europa e Estados Unidos são os principais candidatos a receber a competição. E qualquer chuva quebraria toda a programação com tantos jogos previstos diariamente.

E os playoffs que acontecem em setembro com ingressos sendo vendidos? Os vencedores serão apenas cabeças de chave e precisarão vencer seus confrontos em fevereiro para participar da Copa Davis em novembro, podendo até repetir um confronto de setembro já que os demais classificados serão definidos por ranking.

Outro ponto crítico da Copa Davis nos últimos anos, que é a questão do calendário, com os confrontos acontecendo logo após Grand Slams ou eventos grandes da ATP não será resolvida. Os Playoffs acontecerão em fevereiro (após Australian Open), os Zonais em abril (após Miami) e setembro (após US Open), enquanto as Finais serão logo após o ATP Finals.

E as mulheres?

Fed Cup não entra no pacote de mudanças
Crédito: Paul Zimmer

Em uma semana na qual a ITF anunciou um grande plano de promover a igualdade de gênero no tênis, a mesma entidade não apresentou nada para a Fed Cup, a Copa do Mundo feminina. A proposta do grupo Kosmos e Gerard Piqué envolveu apenas a Copa Davis e até copia em parte o formato dos zonais na competição feminina.

E se a Copa Davis não tem contado tanto com as principais estrelas do tênis masculino, a Fed Cup sofre deste mal há mais tempo e algumas vezes só conta com as melhores jogadoras da WTA por causa da obrigatoriedade mínima de participação visando os Jogos Olímpicos.

O que pensam os brasileiros

Soares e Melo no confronto com a Argentina em 2015, última participação brasileira no Grupo Mundial
Crédito: Cristiano Andujar

Em 2012 a ITF já havia questionado os países sobre o formato da Copa Davis e a Confederação Brasileira de Tênis respondeu que deveria ser mantido como estava. Na época, o presidente era Jorge Lacerda, antecessor e ‘padrinho político’ do atual presidente Rafael Westrupp.

Westrupp recebeu a visita de David Haggerty na sede da CBT e então passou a defender a mudança no formato. A mudança de postura acaba sendo comum no momento em que o Brasil teve pela primeira vez em alguns anos a recusa de seus principais jogadores de disputar a Copa Davis.

Por motivos diversos, Bruno Soares, Thomaz Bellucci, Rogerio Dutra Silva e João Souza optaram por não jogar a competição em 2018. Bellucci havia ficado fora de apenas dois confrontos até então, ambos devido a lesões e jogou até lesionado contra a Colômbia em 2012 e Alemanha em 2013.

Questionado por este blog sobre a mudança no formato da Copa Davis, Gustavo Kuerten defendeu que a competição mude, mas declarou preferir que fosse disputada a cada 2 anos.

“Eu acho que a Copa Davis precisa mudar. Ela vem perdendo o sabor e o prestígio ao longo dos anos. É difícil saber como manusear, porque o ponto além da Copa Davis ainda é o calendário do tenista, que é inumano. Precisa mudar a Copa Davis e precisam mudar os 5 sets”, afirma Guga.

“Eu faria com um maior intervalo de tempo, de dois em dois anos uma Copa Davis, não sei se de uma maneira direta assim de um local para resolver toda a questão, mas como um produto a gente olha uma Copa do Mundo e visualiza algo que é fantástico”, conclui o tricampeão de Roland Garros, que defendeu o Brasil na Copa Davis 23 confrontos entre 1996 e 2007.

O Brasil, vale lembrar, fez uma de suas piores campanhas na Copa Davis em 2018. Ganhou de forma bastante sofrida contra a República Dominicana e perdeu para a Colômbia pela primeira vez na história no Zonal Americano. Fora do Grupo Mundial, o país deve sair no lucro e pegar uma das vagas das três Américas no qualificatório de fevereiro devido ao ranking.

Mudanças do tênis

Embora esta seja a mudança mais radical da Copa Davis em 118 anos, é preciso lembrar que a competição já teve formatos diferentes até 1980, quando não existia o Grupo Mundial.

Durante um longo período, a Copa Davis era disputada em grupos continentais, com os vencedores de Europa, Américas e Ásia se enfrentando em um Interzonal seguido de uma final.

Os confrontos eram em datas mais próximas e o Brasil esteve no Interzonal duas vezes, perdendo em 1966 para a Índia e em 1971 para a Romênia. Durante o período, o Brasil de Thomaz Koch e Edison Mandarino disputou algumas vezes o Zonal Europeu e não o das Américas.

Em festa de 85 anos, AAAPB resgata a história da Escola Paulista de Medicina

Este slideshow necessita de JavaScript.

Em comemoração aos 85 anos de fundação da Escola Paulista de Medicina (EPM), a Associação Atlética Acadêmica Pereira Barreto (AAAPB) aproveita a oportunidade para reunir neste domingo, 10 de junho, seus atuais alunos com ex-alunos de diferentes gerações que fizeram parte da instituição em festa idealizada e financiada pelos ex-alunos Abel, Jacob e Ramiro.

A aproximação dos alunos de diferentes gerações faz parte de uma iniciativa tomada em 2015, quando foi criado o Departamento de Ex-Alunos e desde então alunos de diversas épocas passaram a trocar informações e histórias, além de uma contribuição financeira anual para melhorias nas instalações visando resgatar e manter a história esportiva da entidade.

“A ideia é aproximar os ex-alunos, então tem alguns eventos ao longo do ano que a gente promove em parceria com outras coisas. O Departamento está ajudando na festa que acontece agora no dia 10”, explica a presidente da Atlética, Daniela Chiloff, aluna do 3º ano de Medicina na Escola Paulista de Medicina, na Vila Clementino, em São Paulo.

Flâmula com o mascote Nicodemus
Foto: Arquivo

“A Unifesp paga conta de água, luz, gás, mas a gente também tem outros gastos, fazer reformas, obras é uma coisa muito cara e o departamento de ex-alunos vem para ajudar. Eles já ajudaram com a realização de algumas reformas, na quadra de tênis, teto das quadras poliesportivas”, completa Chiloff, que compete nas equipes de handebol e vôlei.

Em sua estrutura, a entidade conta com duas quadras poliesportivas, quadra de tênis, piscina, sala de musculação, sala de ginástica, sala de convivência, sala de troféus e também restaurante, tudo sob a responsabilidade dos alunos.

A AAAPB tem como sua principal competição anualmente a Intermed, competição na qual o time da Escola Paulista de Medicina são os “Índios” e tem como principal rival o time do Hospital das Clínicas, os “Porcos”. A competição reúne 19 faculdades de medicina no estado de São Paulo, sendo que oito competem na Pré-Intermed, uma espécie de segunda divisão, enquanto as que se mantém com os melhores resultados jogam a Intermed, a divisão principal.

A rivalidade com os alunos do HC surgiu justamente da fundação da Escola Paulista de Medicina, como explica o médico Michel Tsuge, que foi diretor da AAAPB que se reaproximou da Atlética pelo recém-criado Departamento de Ex-alunos.

“Escola Paulista de Medicina foi um grupo de rebeldes do HC, médicos e professores que se rebelaram e montaram a faculdade de medicina aqui, que virou a Escola Paulista de Medicina, inicialmente uma faculdade privada, mas que depois de alguns anos acabou federalizando. Por isso temos uma rivalidade saudável com o pessoal da Doutor Arnaldo e a maior parte da manifestação disso é nos jogos, nos esportes”, explica Tsuge.

Seleção brasileira campeã mundial de 1963 com Luiz Claudio Menon. Foto: CBB

Dona de 14 títulos da Intermed, a AAAPB também tem um histórico vitorioso fora das competições estudantis. Pois foi da Escola Paulista que saíram dois nomes importantes do esporte brasileiro: o ex-jogador de basquete Luiz Cláudio Menon, campeão mundial com a seleção brasileira em 1963, e Gérson de Souza, atleta que disputou a prova dos 400 m rasos nos Jogos Olímpicos de Los Angeles-1984 e Seul-1988, quando foi semifinalista.

A EPM tem atualmente atletas que competem nas seguintes modalidades: atletismo, basquete, beisebol, futebol, futsal, handebol, judô, natação, tênis, tênis de mesa, vôlei e xadrez. A equipe da Paulista de Medicina tem o mascote Nicodemus em seu símbolo.

Mas as atividades da Atlética não se resumem ao esporte. Os alunos também organizam eventos sociais e extensão, fazem ações como aferir pressão em troca de alimentos em supermercados, recepção de calouros com doação de sangue e workshops para apresentar a Escola a interessados em estudar na entidade.

“A gente não tem trote, o que fazemos para os calouros é uma recepção, com o sangue de calouro – na qual os calouros fazem doação de sangue -, tem o trote solidário com apresentações para instituições que nos visitam, tem um dia que vem a AACD (Associação de Assistência à Criança Deficiente), já chegou a vir a APAE (Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais), é bem legal a nossa semana de recepção aqui”, explica a presidente da Atlética, cujo mandato termina em setembro.

Foto: Arquivo

A iniciativa dos alunos da Escola Paulista de Medicina busca coisas que são cada vez mais importantes para a sociedade brasileira: União e respeito de diferentes gerações, além da preservação da história, neste caso, uma rica história de 85 anos.