Brasil sai no lucro e pode jogar em casa na nova Davis

Thiago Monteiro e o capitão João Zwetsch no confronto entre Brasil e Colômbia pela Copa Davis 2018, em Barranquilla, na Colômbia. Crédito: Matheus Joffre/CBT

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Thiago Monteiro e João Zwetsch na Copa Davis em Barranquilla, na Colômbia. 
Crédito: Matheus Joffre/CBT
Crédito: Matheus Joffre/CBT

Ausência de seus principais jogadores, vitória sofrida contra a República Dominicana e derrota inédita para a Colômbia. O ano de 2018 tinha ingredientes para ser trágico para a equipe brasileira da Copa Davis, mas a aprovação da mudança no formato da competição centenária deixou o tênis do Brasil no lucro e com grandes chances de sediar um confronto grande.

Graças à vitória canadense sobre a Holanda, que garantiu o país da América do Norte entre os cabeças de chave do Qualificatório de 2019, o Brasil pegou a terceira vaga por ranking das Américas, atrás de Colômbia e Chile, com os pontos descontados da vitória sobre a Espanha nos Playoffs de 2014.

O Brasil que, assim como todos os demais países sul-americanos, votou pela mudança no formato da competição e a adoção da proposta apresentada pelo zagueiro espanhol Gerard Piqué, deixa de jogar o Zonal Americano mesmo depois de ter ficado fora dos Playoffs do Grupo Mundial, o que não acontecia desde o boicote de 2004, que ajudou a derrubar Nelson Nastas do comando da Confederação Brasileira de Tênis.

A definição do adversário brasileiro acontece na quarta-feira, dia 26 de setembro, às 11h (de Brasília), em sorteio que será realizado na sede da Federação Internacional de Tênis (ITF), em Londres, na Inglaterra.

O Brasil pode ter os seguintes confrontos:

Em casa: 🇩🇪∙🇦🇷∙🇦🇹∙🇧🇪∙🇮🇹∙🇯🇵∙🇨🇿
Fora: 🇨🇦∙🇸🇪
Sorteio: 🇰🇿∙🇬🇧∙🇷🇸

Retrospecto dos confrontos

João Souza (Feijão) e Leonardo Mayer antes do jogo que ficaria marcado como o mais longo da Copa Davis, em Buenos Aires, 2015. Crédito: Cristiano Andujar/CBT
Reencontro entre Brasil e Argentina é uma das possibilidades. Crédito: Cristiano Andujar/CBT

🇩🇪∙6 confrontos disputados, com duas vitórias brasileiras e quatro alemãs. O confronto mais marcante para os brasileiros foi em 1992, quando Jaime Oncins brilhou na vitória diante da Alemanha de Boris Becker, no Rio de Janeiro. O encontro mais recente foi na edição 2013, em Neu-Ulm, com vitória dos donos da casa.

🇦🇷∙ 8 confrontos disputados, com duas vitórias brasileiras e seis argentinas. O primeiro encontro teve vitória de Thomaz Koch diante de Guillermo Vilas, em 1972, no Rio de Janeiro, com o Brasil levando a melhor. O confronto mais recente foi em 2015, no Tecnópolis, em Buenos Aires, com Leonardo Mayer vencendo Feijão na marcante maratona de 6h43.

🇦🇹∙2 confrontos disputados, com uma vitória para cada país.  Ambos os encontros foram marcantes por motivos diferentes. No primeiro, em 1996, na cidade de São Paulo, a irritação de Thomas Muster que abandonou a quadra na partida de duplas contra Gustavo Kuerten e Jaime Oncins, que definiu a vitória brasileira. 11 anos depois, em Innsbruck, a despedida de Guga e a estreia de Thomaz Bellucci.

🇧🇪∙ 3 confrontos e todos vencidos pela Bélgica. Todos os confrontos foram disputados em solo belga, em 1960, 1993 (com o Brasil tendo perdido mando como punição referente a 1992) e 2016, quando o time brasileiro sofreu sua pior derrota em anos, caindo ainda no sábado, em Ostend.

🇮🇹∙ 4 confrontos, com duas vitórias para cada país. Em 1992, em Maceió, o time capitaneado por Paulo Cleto garantiu a vitória de virada para ir à semifinal da Davis. O último encontro foi em 1993, em Modena, com o Brasil sendo derrotado já nas duplas no sábado.

🇯🇵∙ O único confronto aconteceu no ano passado, em Osaka, quando o Japão jogou desfalcado de Kei Nishikori e o Brasil de Thomaz Bellucci, em confronto encerrado apenas na segunda-feira por causa de um tufão, que ainda teve episódios de vídeo com ofensa a Nishikori e gestual ofensivo que rendeu punição ao tenista gaúcho Guilherme Clezar.

🇨🇿∙ 4 confrontos, com três vitórias dos tchecos e uma brasileira. O único triunfo do Brasil foi em 1971, em Porto Alegre, com Mandarino e Koch fechando a disputa nas duplas contra o time que tinha Jan Kodes. O duelo mais recente foi em 2002, em Ostrava, com os brasileiros desfalcados de Guga na derrota definida já no segundo dia, nas duplas.

🇨🇦∙ 6 confrontos, com quatro vitórias do Brasil e duas para os canadenses. Um dos encontros mais marcantes ocorreu em 2002, nos Playoffs para o Grupo Mundial, quando Guga, Fernando Meligeni e André Sá bateram o time de Daniel Nestor e Frank Dancevic no segundo dia no Rio de Janeiro. O confronto mais recente também foi vencido pelos brasileiros, com Ricardo Mello e Flávio Saretta, em 2007, no Costão do Santinho, em Florianópolis.

🇸🇪∙ 2 confrontos, ambos vencidos pela Suécia. O primeiro encontro foi em 2003 e marcou a última participação brasileira no Grupo Mundial antes de um hiato de 10 anos. Em Helsingborg, o Brasil de Guga, Sá e Saretta foi superado no quinto jogo por Jonas Bjorkman e Andreas Vinciguerra. No último encontro, a polêmica despedida de Meligeni do cargo de capitão, em 2007, em Belo Horizonte, que teve até fogo na quadra de saibro.

🇰🇿∙ O Brasil nunca enfrentou o Cazaquistão na Copa Davis.

🇬🇧∙ 4 confrontos, todos sediados e vencidos pela Grã-Bretanha. O encontro mais recente aconteceu na edição de 1969, na grama da Quadra 1 de Wimbledon, com Koch e Mandarino derrotados na quinta partida do confronto pela equipe que tinha Graham Stilwell e Mark Cox.

🇷🇸∙ O único confronto ocorreu em 1967, com o Brasil vencendo a antiga Iugoslávia, em Zagreb (atual território croata). Koch e Mandarino garantiram a vitória brasileira pelo Zonal Europeu. Obs: O Brasil não tem garantido o direito de sediar o confronto caso enfrente a Sérvia, pois a alternância de sedes da Copa Davis ocorre a partir de 1970.

Que Brasil?

Thomaz Bellucci na Copa Davis entre Brasil e Espanha em São Paulo, 2014. Crédito: Cristiano Andujar/CBT
Thomaz Bellucci não jogou a Copa Davis em 2018. Crédito: Cristiano Andujar/CBT

Independentemente dos possíveis adversários, resta saber qual será o Brasil que jogara o Qualificatório da Copa Davis 2019. Nos últimos confrontos, Thomaz Bellucci, Rogerio Dutra Silva e Bruno Soares ficaram fora do time comandado por João Zwetsch, que promoveu as estreias de Marcelo Demoliner e João Pedro Sorgi, além de resgatar Guilherme Clezar.

Presentes mesmo em equipes desfalcadas, Thiago Monteiro e Marcelo Melo provavelmente estarão dentro do time mais uma vez. A dúvida fica nas outras três vagas. Bellucci, Rogerinho e Soares voltam?

João Menezes, Karue Sell, Orlando Luz e Thiago Wild, campeão juvenil no US Open seriam opções para confrontos grandes em busca de evitar a volta ao Zonal Americano? A decisão ficará para a CBT e João Zwetsch, que ao que consta, iniciará seu décimo ano no comando do time brasileiro.

O Brasil ainda não sediou um confronto de Copa Davis na gestão de Rafael Westrupp como presidente da Confederação Brasileira de Tênis. A última vez que o país jogou em casa foi em 2016 contra o Equador, em Belo Horizonte, pelo Zonal Americano. Pelos Playoffs, o último confronto como mandante foi contra a Croácia, em 2015, em Florianópolis. Já pelo Grupo Mundial, o Brasil foi sede pela última vez em 2001, contra a Austrália, em Florianópolis, na inauguração do local que hoje sedia a CBT.


Autor: rubenslisboa

Jornalista. Ex-repórter de Lance!, UOL Esporte, e Confederação Brasileira de Tênis. Músico (não-praticante) nas horas vagas. Fã de várias vertentes de música, especialmente Rock e Heavy Metal. Um colecionador de covers, tributos, versões alteradas e plágios descarados no mundo da música.

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