As ausências e o rumo da Copa Davis

Crédito: Cristiano Andujar

Um confronto da equipe brasileira abre a série de confrontos que acontecem pela Copa Davis até o domingo, com a disputa de vaga na primeira divisão de 2018 e, principalmente, a decisão dos times classificados para a final da competição na temporada atual. E, como já tem sido tão comum na Copa do Mundo do tênis, será um fim de semana marcado por ausências.

Lesões, aposentadoria da competição, falta de preparo físico, falta de vontade ou alguma presepada mesmo, a lista de jogadores que poderiam estar escalados para jogar este fim de semana é grande:


🇩🇪 Alexander Zverev #4, Mischa Zverev #27, Philipp Kohlschreiber #34 e Florian Mayer #69

🇦🇷 Juan Martin Del Potro #24, Leo Mayer #53, Horacio Zeballos #64 e Federico Delbonis #65

🇧🇷 Rogerio Dutra Silva #74 e Thomaz Bellucci #76

🇨🇦 Milos Raonic #11

🇨🇴 Robert Farah #27D

🇭🇷 Ivo Karlovic #49, Borna Coric #56 e Ivan Dodig #13D

🇳🇱 Jean-Julien Rojer #10D

🇯🇵 Kei Nishikori #14

🇨🇿 Tomas Berdych #19

🇷🇺 Andrey Kuznetsov #88 e Evgeny Donskoy #89

🇷🇸 Novak Djokovic #6, Viktor Troicki #47 e Janko Tipsarevic #68

🇨🇭 Roger Federer #2 e Stan Wawrinka #8

Crédito: Corinne Dubreil/ITF

Sim, a ausência de estrelas em (não apenas) playoffs tem sido cada vez mais frequente na Copa Davis, motivo pelo qual a Federação Internacional de Tênis (ITF) planeja mudanças há anos e está prestes a colocar em prática sem ir no principal foco do problema, é claro.

O problema da competição não é a quantidade de sets, ou a final não ser em local neutro. Há dois problemas mais urgentes que são o calendário e a grana.

Primeiro vamos ao calendário: A rodada que começa hoje acontece seguida ao US Open, sendo que na Davis não é tão simples uma equipe chegar e jogar. Tem uma semana de treinos, o piso muda, a bola muda, a altitude muda, a distância é longa dependendo do país que sedia, tem adaptação ao fuso horário.

Mas é só na semana dos Playoffs? Não, a primeira rodada do Grupo Mundial tem sido logo após o Australian Open, as quartas de final e zonais logo após a sequência dos Masters 1000 de Cincinnati e Miami. E se tivesse mais duas semanas de Davis no ano, encaixariam pós Roland Garros e Wimbledon.

Enfim, mas não se fala em trocar o calendário da competição centenária, o que precisaria de uma negociação forte com a ATP.

Crédito: Corinne Dubreil/ITF

E o outro detalhe que a ITF deixa claro é que quer as estrelas jogando, mas por “patriotismo”. A dona da Davis distribui dinheiro de premiação para as federações/confederações nacionais com um valor não divulgado publicamente e definido a portas fechadas em Assembleia Geral e não são todos os países que repassam a verba diretamente aos atletas seja ela inteira ou descontadas despesas, com valor igualitário ou dividido conforme ranking, com regras claras, enfim.

Não basta demonizar as entidades políticas de cada país e achar que elas são as culpadas. A ITF divulga todo ano um comunicado se gabando do alcance mundial da Davis, a quantidade de espectadores, telespectadores, acessos ao site, mídias sociais e acesso ao seu mais novo canal pago que estreia neste fim de semana com os jogos transmitidos ao vivo para todo o planeta.

Os países que sediam um confronto arcam com as despesas e têm espaço limitado para explorar em patrocínios, pois o produto já vem pronto e com marcas pelas quais arrecada a sua grana a ITF. Então é só a ITF? Não, as entidades de cada país aprovam as contas dela e suas decisões. As mudanças estouram para o lado dos atletas por ser mais fácil, eles não estão presentes nas reuniões e são poucos os países que dão participação a eles nas entidades nacionais.

Crédito Takeo Tanuma/ITF

No Brasil causou um certo espanto as ausências primeiro de Rogerio Dutra Silva e depois de Thomaz Bellucci, cada uma com o seu motivo. Mas a equipe brasileira é um ponto fora da curva quando se fala de ausências por parte do jogador, já que o torcedor sabe escalar o time quase fixo com Bellucci, a dupla Melo/Soares e mais um. Eles geralmente estão presentes até mesmo em zonais, o que não é nem de longe a coisa mais comum numa Copa Davis, só que no nosso caso a quantidade de atletas que temos com nível e experiência neste tipo de competição é o que causa o prejuízo.

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Autor: Rubens Lisboa

Jornalista. Repórter com passagens pelas redações de Diário Lance! (2007-2009) e UOL Esporte (2009-2011), assessoria de imprensa na Confederação Brasileira de Tênis (2012-2017). Freelancer para o Yahoo Esportes em 2017 e atualmente no UOL Esporte. Músico (não-praticante) nas horas vagas. Fã de várias vertentes de música, especialmente Rock e Heavy Metal. Um colecionador de covers, tributos, versões alteradas e plágios descarados no mundo da música.

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